Crianças esperam por atendimento em abrigos

Maria Neide tem 62 anos e uma vida difícil marcada pela pobreza do sertão nordestino. É uma entre tantas pessoas que sofre com a falta d?água e se acostuma com seca de um verão que castiga por oito meses do ano. Sozinha, cuida de seis netos, com idade entre 3 e 7 anos, hoje num dos 50 abrigos improvisados pela prefeitura de Teresina. "Estou desesperada, moço. Me ajuda." O pedido de socorro feito à reportagem é o da avó, que teve a casa destruída. Há uma semana foram todos levados pela Defesa Civil para o ginásio poliesportivo do bairro Dirceu. Lonas pretas suspensas por cordas amarradas à estrutura do teto do ginásio delimitam o espaço para cada uma das 22 famílias do vilarejo de Karl Fritz.A costureira, que virou mãe de seus seis netos depois de as duas filhas partirem para São Paulo, Maria Neide quer ajuda para Marcos Vinicios, de 3 anos. Enquanto todos correm e brincam, ele permanece quieto e abatido. Nasceu com problemas no coração, é miúdo e está muito magro, apesar da barriga inchada. "Ele está muito ruim, acho que está com pneumonia." No mesmo abrigo, uma outra criança de 8 meses - João Vitalo - também tem problemas cardíacos. "As enfermeiras têm visitado e tratado das diarreias e das febres das crianças. Mas nosso medo é com esses dois que precisam ser atendidos no hospital", conta Alzenir do Nascimento, de 27 anos, que, com o marido e mais 3 filhos, divide o espaço de pouco mais de 10 metros quadrados determinado pela lona.

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