Crianças reconhecem local onde foram molestadas

Duas crianças reconheceram ontem a mansão de um médico como sendo a fachada da casa para onde elas foram levadas, filmadas e molestadas por pedófilos que fariam parte da rede que abusou de pelo menos 24 crianças e adolescentes da periferia de Catanduva, a 380 km da capital paulista. A casa fica num bairro de classe alta.As crianças, segundo suas mães, também reconheceram outra residência, no mesmo bairro, onde também ocorriam as sessões de tortura e violência. A casa seria de um empresário. O trabalho de reconhecimento foi feito a pedido do Ministério Público e o registro, enviado à Vara da Infância e da Juventude.Ontem também a Justiça decretou o sigilo dos autos com a justificativa de proteger as vítimas, segundo os promotores Noemi Corrêa e André Cunha. Assim, os nomes de novos suspeitos, já ouvidos pela polícia, não foram revelados. Um deles seria ligado a uma entidade religiosa da cidade. O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pedofilia no Senado, prometeu às famílias que "tudo que foi feito de errado será consertado pela Justiça, pelo Ministério Público e pela CPI". Ele disse que a CPI fará novas sessões de reconhecimento e vai ouvir delegados, acusados, juízes e promotores, além de testemunhas. A CPI deverá ficar de dois a três dias, na próxima semana, em Catanduva. "A CPI deverá pedir quebra de sigilo telefônico e até prisão de envolvidos."O senador disse que o Ministério Público aprovou a ideia de propor o benefício da delação premiada ao borracheiro José Barra Nova de Melo, que está preso por ter molestado pelo menos 14 crianças. O senador pretende visitar hoje o borracheiro. Malta também se disse decepcionado com a recusa da delegada Rosana da Silva Vanni em participar de uma reunião no fórum de Catanduva. Ela justificou dizendo que "tinha coisas mais importantes para fazer".Os promotores André Cunha e Noemi Corrêa anunciaram que vão questionar a delegada sobre a libertação de um dos quatro suspeitos reconhecidos pelas crianças e preso na quinta-feira, sem autorização da Justiça. Ele é o operário Eduardo Arquino, de 19 anos, acusado de levar as crianças de motocicleta para a mansão do médico. Na sexta-feira, Rosana divulgou nota dizendo que a libertação ocorreu porque Arquino não teve a moto reconhecida por uma vítima.A Polícia Militar apreendeu 13 fotos encontradas às margens da SP-321 (Catanduva-Itajobi). Segundo a PM, o material era pornográfico e havia pelo menos uma foto de meninos nus. A polícia vai investigar se há relação com a a rede de pedofilia local.

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