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Crianças são amarradas e levadas por PMs em viatura no Maranhão

Prisão dos garotos ocorreu após denúncia de que estariam praticando furto

Diego Emir, Especial para O Estado

08 de março de 2019 | 23h28

SÃO LUÍS - Duas crianças foram amarradas e conduzidas por policiais militares em uma viatura, na manhã desta sexta-feira, 8, em Caxias, a 360 km de São Luís, no Maranhão. A prisão dos menores ocorreu após denúncia de que estariam praticando furto.

A forma como os menores foram conduzidos até a delegacia local, com as mãos amarradas com cordas, repercutiu nas redes sociais. O tenente-coronel Márcio Rogério Sales da Silva, comandante do 2.º Batalhão de Polícia Militar de Caxias, confirmou o fato, mas alegou que foi motivado pela agressividade da população com as crianças.

“A guarnição da Polícia Militar foi acionada pela Central de Operações da PM, para atender uma ocorrência de arrombamento a domicilio. Ao chegar no local, constatou-se a veracidade dos fatos, identificando que os autores se tratavam de duas crianças, praticando ato infracional análogo a crime, as quais encontravam-se com os pulsos amarrados com cordas. Visando a dar agilidade ao atendimento da ocorrência, por populares hostilizarem os menores, a Policia Militar encaminhou todos os envolvidos, nas condições em que os mesmos se encontravam, para a Delegacia de Polícia Civil, a fim de que fossem tomadas as providencias cabíveis”, disse por meio de nota o comando em Caxias.

O comandante-geral da Polícia Militar do Maranhão, coronel Luongo, também foi procurado e afirmou que será “instaurado um inquérito policial para investigar a conduta dos militares”. “Nem eu, nem o governador Flávio Dino, nem o secretário Jefferson Portela concordamos com tal postura.” 

Oficialmente, o governo do Maranhão falou em “grave violação a direitos” e exigiu investigação.

Quem vai pedir também apuração do caso de Caxias será o secretário de Direitos Humanos e Políticas Públicas, Chico Gonçalves (PT). Informações vão ser solicitadas ao comandante da PM, ao secretário de Segurança Pública e ao Conselho Tutelar do município. O caso também já chegou ao conhecimento do Ministério Público, que informou que vai apurar o que aconteceu. 

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