Crianças Staheli vão embora depois de confusão na Justiça

Depois da polícia, foi a vez do Judiciário bater cabeça nas investigações do assassinato de Zera Todd e Michelle Staheli. Os quatro filhos do casal retornaram aos EstadosUnidos, nos primeiros minutos de hoje, após autorização do juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, Siro Darlan. A liberaçãopassou por cima de uma decisão anterior, do juiz da 2ª Vara, Guaracy Vianna, que trata de menores infratores. Em despachoassinado há uma semana, ele determinara que a filha mais velha do casal, de 13 anos, só poderia deixar o país após a conclusãodo inquérito policial.Vianna evitou comentar o assunto. ?Não quero polemizar com o Siro Darlan. A minha decisão foi tomada com base noinquérito policial?, declarou. No despacho, Vianna explica que a presença da filha mais velha do casal é ?imprescindível? para areprodução simulada dos fatos, pois, segundo as autoridades policiais, ?é possível que a adolescente figure como provável autora da prática delituosa?.Ontem, Darlan afirmou que as crianças estavam sendo tratadas como criminosas. ?É um constrangimento, um crime, umaagressão a essas crianças, que perderam os pais dessa maneira?.O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Miguel Pachá, definiu a situação como um ?típico conflito de competência?. Como são juízes de uma mesma instância, a decisão tomada por um não pode anular a do outro. Embora possam ?suscitar o conflito?,ou seja, solicitar a abertura de um julgamento, alegando que a decisão de um prejudicou o trabalhou do outro, nenhum dos doishavia recorrido ao Tribunal de Justiça até o início da noite de hoje.O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, confirmou ter havido um acordo para a saída dos filhos dos Staheli do país. Segundo ele, foi enviado um despacho informando que, após o depoimento da filha mais velha à polícia, não havia motivo para mantê-la no País. O documento, disse ele, informava que a adolescente havia colaborado e, portanto, o juiz ?ficava à vontade para tomar decisão?.?O pedido para que os filhos não deixassem o País houve porque não estava havendo colaboração. hoje, ela prestoudepoimento por mais de três horas na delegacia e tirou várias dúvidas. Portanto, não havia motivo para mantê-la aqui. Aí, o juiz entendeu que a proibição não se justificava mais?.Os filhos dos Staheli, um garoto de 10 anos e as meninas de 3, 8 e 13 anos, deixaram hoje o país, onze dias apósencontrarem os pais agonizando, com os rostos desfigurados, na cama da suíte principal da casa da família, na Barra (zonaoeste). A viagem foi autorizada às 20h30 de quarta-feira a pedido da advogada contratada pela família, Leila Zacharias. Eles viajaram em companhia dos avós paternos e de dois tios maternos, em uma aeronave da American Airlines que decolouaos 15 minutos de ontem do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. Os corpos de Zera Todd e Michelle embacaram paraos Estados Unidos quatro horas antes, no vôo 860 da United Airlines. Segundo a advogada, os filhos dos Staheli embarcaram para a terra dos pais, Salt Lake City, no Estado de Utah. ?Os últimosdias foram muito desgastantes, mas o resultado (do trabalho) foi bom, pois os filhos puderam retornar para os Estados Unidos,onde vão começar vida nova.Eles estavam muito abalados, mas comovidos e felizes com a viagem?, contou ontem a advogada. A partida foi atribulada, pois o grupo chegou ao aeroporto quando o check-in já havia sido concluído, às 23 horas. O vôo só partiu com mais de um hora de atraso, pois, afirmou Zacharias, a Polícia Federal hesitou em liberar a viagem da filha mais velha do casal, por causa da decisão anterior da 2ª Vara da Infância e Juventude. Antes da viagem, eles se despediram da cidade em um rápido jantar em uma churrascaria na Praia do Flamengo, na zona sul,onde se tem uma visão privilegiada do Pão de Açúcar. ?Sugeri irmos à churrascaria para que eles tivessem uma experiênciaagradável na cidade antes de embarcar?, explicou a advogada. Uma funcionária da Shell que veio de Houston dar assistência aosfamiliares de Zera e Michelle, também participou do jantar e acompanhou o grupo no retorno aos Estados Unidos. Para ler mais sobre o crime na Barra da Tijuca: »Caso Stahelli ?na estaca zero?. 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