Crime do caso Pedrinho não prescreveu, diz ministro

Ao contrário do que diz a Polícia Civil do Distrito Federal, o ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, avalia que não prescreveu o crime do caso Pedrinho, o recém-nascido que há 16 anos foi levado de uma maternidade de Brasília e registrado como Osvaldo Borges Júnior."Me parece que é muito difícil falar em prescrição", disse o ministro nesta terça-feira. Na avaliação dele, o crime permanece porque o jovem continua com a pessoa que o teria levado do hospital. Ele ressaltou, porém, que desconhece detalhes do processo.A dúvida sobre esse ponto do caso vem causando polêmica. Para a Polícia Civil, que já identificou a mãe adotiva, Vilma Martins Costa, como a pessoa que pegou o menino no hospital, o crime de "subtração de incapaz" prescreveu oito anos depois.Mas o promotor de Justiça Diaulas Ribeiro defende outra tese, que está ganhando apoio e poderá se firmar como consenso no Ministério Público do Distrito Federal. Para ele, houve seqüestro. "O crime de seqüestro de Pedrinho não está prescrito", afirma o promotor. Ele também considera haver conexão entre o seqüestro e o crime de registro civil fraudulento do garoto.Ele defende que caberá à Justiça de Brasília - e não à de Goiás, onde o menino foi registrado - julgar o caso, somando as penas dos crimes."O Ministério Público é livre para fazer seu juízo", disse o delegado-chefe da Delegacia de Homicídios, Luiz Julião. Ele disse nesta terça-feira que, na semana passada, já sabia que Maria Auxiliadora Braule Pinto, mãe biológica, havia reconhecido a seqüestradora.No depoimento formal dado nesta segunda, ela disse ter interpretado como uma ameaça a frase de Vilma, no primeiro encontro: "Você sabe que não fui eu que peguei seu filho". O delegado disse que o reconhecimento é uma prova tão importante quanto o DNA. "É prova do maior crédito", afirmou.

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