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Crime em escola de Goiânia foi inspirado em Columbine e Realengo

Segundo relatos, jovem era constantemente chamado de ‘fedorento’; ele pensava em se vingar havia dois meses

Breno Pires, Rodolfo Mondoni, enviados especiais, Sarah Teófilo e Cássia Miranda, especiais para o Estado

20 Outubro 2017 | 18h27
Atualizado 22 Outubro 2017 | 09h07

GOIÂNIA, RIO E SÃO PAULO - O adolescente de 14 anos, autor dos disparos que mataram dois estudantes e feriram outros quatro no Colégio Goyases, em Goiânia, disse ter se inspirado nos massacres em escolas de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio. O crime nos Estados Unidos foi em abril de 1999 e deixou 12 alunos e um professor mortos. Já o de Realengo, na zona oeste do Rio, foi em abril de 2011 e acabou com a morte de 12 alunos e do próprio atirador.

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“Ele me disse que se inspirou em duas tragédias: Columbine e Realengo. E pensava em se vingar há aproximadamente dois meses”, disse o delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais de Goiânia, unidade para onde o garoto foi levado. A motivação principal foi um garoto que o “amolava muito”. 

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Segundo testemunhas, ele chegou a mirar contra a cabeça, não pediu desculpas, mas se mostrou arrependido.

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O rapaz é estudioso e tem boas notas, apontam relatos de colegas. Mas, segundo eles, o menino tem comportamento estranho e perde a paciência com provocações. João Pedro, um dos dois mortos, era o que mais irritava o atirador. 

“Numa prova de Ética, ele desenhou o símbolo nazista e, em uma roda literária, levou um livro satânico”, relatou uma das meninas. Segundo ela, o episódio foi no ano passado.

O rapaz era uma “muito estranho e frio”, de acordo com outra estudante. “Se você fizesse uma brincadeira, ele falava que ia te levar para o inferno, que ia matar sua família e te matar.”

Ele era constantemente chamado de “fedorento” e, em uma ocasião, colegas chegaram até a levar um desodorante à escola para provocá-lo. O colégio, segundo alunos e ex-estudantes que circundavam o cordão de isolamento nesta sexta-feira, 20, após o crime, exige muita disciplina dos alunos. 

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Palco de um dos episódios que teriam inspirado o adolescente de 14 anos a atirar contra os colegas em Goiânia, a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, localizada na zona oeste do Rio, teve uma programação especial nesta sexta-feira: atividades sobre a importância da paz e o combate ao bullying. Mas foi mera coincidência. A abordagem desse tema já estava prevista havia dias, contaram os alunos, e não se deveu ao ocorrido em Goiânia. O ataque desta sexta-feira não foi mencionado durante as atividades, e boa parte dos alunos soube do episódio apenas depois da aula. 

Em 7 de abril de 2011, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou no local e, com dois revólveres, matou 12 adolescentes e feriu outros 13.

Depois do caso, a Tasso da Silveira foi reformada e a entrada mudou de lado, passando para outra rua. Ganhou um moderno sistema de câmeras de segurança e hoje tem um guarda municipal permanentemente na portaria, que fica fechada. A maioria dos alunos e professores que estuda na unidade não estava lá no dia do episódio. 

A única referência que têm dele é um memorial criado em uma esquina da escola - uma praça ornamentada com estátuas dos adolescentes mortos.

“Não consigo falar daquele dia sem começar a chorar”, conta o carteiro Hercilei Antunes, de 51 anos, que mora em frente à antiga entrada da escola. /COLABOROU FÁBIO GRELLET

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