Crime em Perdizes: desempregado diz que está arrependido

O desempregado Luís Eduardo Cirino, de 29 anos, que confessou o assassinato do casal Sebastião Estevão Tavares, de 71, e Hilda Gonçalves, de 67, na sexta-feira, 17, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, disse que se arrependeu do crime. " Eu me arrependo. Muito mesmo. Se eu pudesse voltar atrás e desfazer tudo o que fiz. Mas eu não posso", declarou Cirino, ao deixar a sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para ser levado ao 77º Distrito Policial (DP), onde ficará preso.Ao ser questionado sobre o motivo do crime, Cirino afirmou que não tinha intenção de matar o casal, mas que precisava do dinheiro. "Foi uma coisa do momento. Não sei mesmo. Eu precisava do dinheiro. Era tudo o que eu queria. Eu não queria a vida de ninguém", afirmou, acrescentando que escolheu as vítimas porque achou que seria fácil roubar.O desempregado reconheceu que foi cruel com as vítimas e justificou que escolheu a faca "apenas para ter uma arma". Ele contou que esfaqueou Sebastião Tavares porque ´tinha a intenção que ele soltasse o portão´. " Eu queria que ele soltasse, foi isso". A Justiça decretou a prisão preventiva (por 30 dias) de Cirino. Na tarde desta terça, o advogado de Cirino, Yvan Gomes Miguel, disse que vai pedir a liberdade provisória de seu cliente, alegando que Cirino tem residência fixa e se entregou para a polícia. Falta de dinheiroA falta de dinheiro para pagar as parcelas do IPTU foi o motivo alegado pelo desempregado para a invadir a casa da Rua Cayowaá e assassinar o casal. Mas, na residência de Cirino, policiais encontraram indícios que podem derrubar essa versão - são objetos (uma televisão e uma espada ninja) furtados em outras ocasiões em casas da região. A alegação da dívida foi feita na segunda-feira pelo próprio Cirino durante a reconstituição do crime, realizada por peritos e policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Mas o que impressionou os investigadores foi a frieza de Cirino. Horas depois do crime, enquanto o filho do casal, Rogério Gonçalves Tavares, era apontado pela polícia como um dos principais suspeitos, o assassino confesso misturou-se aos curiosos em frente à casa das vítimas e conversou com policiais civis e militares. Cirino morava com duas irmãs e a mãe em uma casa construída em um terreno da Rua Havaí (nos fundos da residência das vítimas). ?Cirino e sua família moram aqui há mais de 10 anos. O problema é que o dono do terreno morreu. Com isso, a família foi ficando?, contou o advogado de Cirino, Yvan Gomes Miguel. Segundo o advogado, seu cliente estava tentando regularizar sua situação com a Prefeitura. Ele pretendia requerer o terreno por usucapião (tornar-se dono do terreno pelo tempo em que ele estava instalado ali). ?Ele não tinha a intenção de matar. Ele entrou na residência para furtar e pagar suas parcelas do IPTU?, completou Miguel.O crimeNo dia do crime, Cirino pegou uma faca em sua própria casa. Além disso, estaria usando uma máscara. Na madrugada, pulou o muro de dois vizinhos até alcançar a residência ao lado. Lá, Cirino teria esperado das 2h até às 6h - horário em que os sensores de alarme estariam desligados. Só então, ele pulou para a residência das vítimas.Cirino observava o movimento da casa dos Tavares. Ele viu que Hilda preparava o café da manhã quando foi surpreendido pela mulher. Ela entrou em pânico e gritou. Cirino tentou intimidá-la com a faca, mas não adiantou. Sebastião também teria aparecido na entrada do cômodo. Nesse momento, ele investiu contra os dois (primeiro Hilda e depois seu marido) e os matou. Rogério e sua avó foram amarrados em seguida. Segundo a polícia, Cirino fugiu em seguida. Minutos depois, ele voltava à cena do crime, só que como curioso. O advogado disse que seu cliente decidiu se entregar porque não estava conseguindo dormir e não podia imaginar a culpa caindo sobre o filho do casal, Rogério Gonçalves Tavares. No dia do crime, Rogério foi considerado o principal suspeito. ?Cirino já tinha matado duas pessoas e não queria desgraçar a vida de mais ninguém?, disse Miguel.

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