Crimes prejudicam avaliação de investidores sobre o Brasil

O assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro, em Vila Velha (ES), apenas poucos dias depois do assassinato do juiz Antônio Machado Dias, em Presidente Prudente (SP), amplia para os executivos e investidores estrangeiros a percepção de que o crime organizado cresce de forma imprevisível no país, avaliou hoje o especialista Eduardo Sampaio, presidente brasileiro da norte-americana Kroll, a maior empresa de gerenciamento de riscos instalada no Brasil."Dez ou vinte anos atrás, a primeira coisa que as empresas interessadas em se instalar no Brasil perguntavam era sobre os custos que teriam com a corrupção. Hoje, a primeira pergunta é sobre custos com segurança", lembra Sampaio. Para Sampaio, o assassinato de juízes deixa no observador estrangeiro a impressão de crescimento sem controle do crime organizado. "Na verdade, parece apenas um capítulo numa história triste e antiga", avalia ele. "Afinal, nos últimos anos o país já assistiu os assassinato de promotores, de testemunhas-chave em processos contra o crime organizado e de políticos."Mas, segundo ele, a morte de magistrados reporta imediatamente para a violência da máfia italiana, para os atentados dos grupos terroristas ETA, na Espanha, e IRA, na Irlanda e para a situação de guerra civil na Colômbia. "Esta avaliação nem sempre é exata, mas os números da violência colocam o Brasil no mesmo nível de regiões conflagradas, e isso com certeza tem efeitos na decisão de investidores", acredita ele. As circunstâncias da morte de Machado Dias, segundo Sampaio, são ainda "mais estarrecedoras" para o observador estrangeiro. "É como a crônica de uma morte anunciada, ele estava jurado de morte e mesmo assim o Estado não conseguiu garantir a sua integridade", diz ele. "O que transmite a sensação de impotência do Estado no combate ao crime organizado."

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