Criminalidade cresce na 25

São 15 furtos por dia; causa seria retorno de camelôs

Luísa Alcalde e Marici Capitelli, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

Há três meses, assaltos e furtos a clientes voltaram a se tornar frequentes na 25 de Março, o principal ponto de comércio popular da capital. Levantamento da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco) aponta que ocorrem, em média, 15 furtos por dia na região. Comerciantes e entregadores de carga são abordados na porta de bancos ou de lojas em ações de quadrilhas especializadas. Polícias Militar e Civil, no entanto, negam crescimento dos índices de criminalidade e afirmam que as rondas, fiscalizações, apreensões de mercadorias ilegais e prisões de bandidos são frequentes na área.A insegurança teria sido agravada, segundo a entidade, após a redução do número de policiais e de guardas-civis metropolitanos (GCM), deslocados para patrulhar outras áreas. Com menos repressão, camelôs irregulares que haviam deixado o local no ano passado voltaram a lotar calçadas e ruas. Hoje, estima-se que existam mil ambulantes espalhados pela região. Só na Rua 25 de Março são 400. Autorizados pela Prefeitura, no entanto, são 74.A concentração dos camelôs facilita a ação das gangues, que acabam passando despercebidas na multidão. Transportadoras de cargas, segundo a Univinco, já não querem mais entregar mercadorias na região."Embora o 1º DP (Sé) diga não haver estatística específica sobre esse tipo de delito na 25 de Março, sabemos que o número é muito maior do que o estimado por nós. A maioria das pessoas nem registra boletim de ocorrência porque é de fora da capital e do Estado. Só percebe que foi roubada quando retorna", afirma uma integrante da associação, que teme se identificar e sofrer represálias de ambulantes. Na sede da Univinco, uma pilha de e-mails com solicitações de reforços na segurança enviados para a Prefeitura, GCM e PM desde o início do ano se acumula na mesa. A entidade sempre recebe a resposta de que a GCM e o 45º Batalhão da PM, criado recentemente para atender a área, estão sendo reestruturados.Cansado de cobrar reforços e após ter recebido ameaças de morte dos ambulantes, o antigo presidente da Univinco, o comerciante Antônio Maluli, pediu destituição do cargo quando teve de passar a andar com colete à prova de balas e ser escoltado por seguranças particulares. O mandato dele iria até 2010.A associação mapeou sozinha as ruas onde os delitos mais ocorrem. Também decidiu parar de pagar o contêiner alugado desde agosto do ano passado para os GCMs. Por mês, os lojistas desembolsam R$ 1 mil para mantê-la ali. "Aquilo não tem mais serventia porque não há efetivo", comenta um comerciante. O contêiner deverá ser retirado em breve da Rua Lucrécia Leme.

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