Reprodução/Redes Sociais
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'Criminosos eram experientes', diz refém de roubo em Criciúma

Assalto a agência bancária teve tiroteio intenso em cidade catarinense; foi o maior crime do tipo na história do Estado

Amanda Garcia Ludwig, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2020 | 16h22

CRICIÚMA - A imagem de seis homens mantidos como reféns na madrugada desta terça-feira, 1º, se espalhou rapidamente pelas redes sociais já nos primeiros minutos após começar o tiroteio intenso. A foto foi registrada por um morador de Criciúma, onde acontecia o roubo a uma agência bancária. Entre os reféns, estava Sérgio Eduardo Firme, funcionário do Departamento de Trânsito e Transporte (DTT) da prefeitura. "Estamos todos abalados com a situação", disse ele. O roubo, que envolveu dezenas de criminosos fortemente armados, foi o maior da história do Estado. 

Junto de Firme estavam outros três funcionários da prefeitura. Eles trabalhavam na pintura de faixas nas ruas centrais da cidade. "Quando ouvimos os primeiros estampidos, pensamos que era alguma moto. Logo depois, percebemos que eram tiros. Mas o carro chegou rápido e começou a atirar para cima. Nos colocaram em um canto da rua e mandaram tirar a camisa", relembra Firme.

Ao lado dos colegas de trabalho, Firme escutou os tiros que, segundo ele, duraram das 23h45 às 2h10. "Eles atiravam apenas para cima, e nunca para o lado ou para baixo", conta o trabalhador. Durante a noite, os cinco criminosos que mantiveram o grupo refém ainda pararam dois motociclistas, que se juntaram aos demais. "Ficamos em seis até o final. Estamos todos abalados com a situação. Ninguém quer passar por isso", comenta Firme.

Apesar do susto, em alguns momentos, os criminosos conversaram com os reféns e pediram calma. "Eles brincaram e perguntaram como era a cidade... Se Criciúma tinha barzinho e mulher bonita. Disseram que voltariam daqui a um tempo, para comemorar." Após o fim do assalto, os demais criminosos avisaram ao grupo que os reféns poderiam ser liberados. "Depois que eles pegaram o carro e foram embora, esperamos 10 minutos. Depois também viemos embora. Entramos no carro e só paramos em casa", diz Firme.

O trabalhador fez questão de reforçar à reportagem que a única exigência dos criminosos era que os reféns ficassem sem camisa. "Eu fiz a manobra que eles pediram com o veículo da prefeitura, para trancar a rua. Depois, ficamos parados na esquina da Avenida Getúlio Vargas. Eram experientes, sabiam como fazer as coisas. Não falaram besteiras, não encostaram em nada e ninguém."

Os reféns ficaram com um grupo de cinco homens. Mas a quadrilha, segundo Firme, era muito maior. "Era possível observar a movimentação. Eles passavam perto, ficavam nas esquinas. Eram mais de 50 pessoas. A ficha do que aconteceu ainda não caiu", comenta. A prefeitura de Criciúma já anunciou que os envolvidos receberão apoio psicológico para enfrentar o momento. "Vamos começar o tratamento amanhã (quarta-feira, 2)", completou o funcionário público.

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