Reprodução/Redes Sociais
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Criminosos fortemente armados assaltam banco em Criciúma, fazem reféns e deixam cidade sitiada

Grupo manteve funcionários da prefeitura como 'escudo humano' e deixou, pelo menos, dois feridos

Amanda Garcia Ludwig e Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2020 | 02h16
Atualizado 01 de dezembro de 2020 | 21h28

Um grupo fortemente armado assaltou uma agência do Banco do Brasil em Criciúma, no sudeste de Santa Catarina, no início desta terça-feira, 1º. Os bandidos também efetuaram disparos em direção ao 9º Batalhão de Polícia Militar e no centro da cidade. A polícia ainda não sabe quantos bandidos participaram da ação, que durou cerca de três horas, nem de onde eles são. As entradas da cidade foram bloqueadas pelos criminosos para evitar a chegada de reforço policial.

De acordo com o soldado Marques, relações públicas da 6ª região de Polícia Militar do Estado, os bandidos portavam fuzis .556 e .762 e atiraram muitas vezes nas ruas da cidade. Os disparos atingiram vidraças de casas e apartamentos. Houve reféns, mas a polícia não soube precisar quantos. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, funcionários da prefeitura que estavam pintando faixas de trânsito na madrugada foram obrigados a sentar no meio da rua, formando uma espécie de "escudo humano" contra a ação policial.

Os bandidos queimaram um veículo no túnel que liga Criciúma a Tubarão, bloqueando o contato terrestre com a capital Florianópolis e dificultando a chegada de reforço policial. Um caminhão foi incendiado na entrada de um quartel da Polícia Militar.

Os criminosos quebraram vitrines de lojas do centro da cidade. As portas de vidro de uma agência da Caixa Econômica também foram quebradas, mas não houve assalto ao local.

A cidade pediu reforço aos batalhões de Operações Especiais (BOPE), de Choque e Aéreo. Por enquanto, há dois feridos. Um deles é policial e está estável. O outro é um vigilante e não há informações sobre seu estado de saúde.

Carga de mais de 200 quilos de explosivos

Durante a ação em Criciúma, o grupo criminoso espalhou nas proximidades da agência bancária uma carga com mais de 200 quilos de explosivos. O esquadrão antibombas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar de Santa Catarina chegou ao local no início da manhã para iniciar a mobilização e retirada dos artefatos do local.

Cerca de 20 policiais trabalharam na ação. De acordo com o comandante do Bope, tenente-coronel José Ivan Schelavi, esta quantidade de dinamite seria o suficiente para destruir o prédio da agência do Banco do Brasil de Criciúma.

Em coletiva de imprensa no fim da manhã desta terça-feira, 1º, o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Christian Dimitri, explicou que todo o material recolhido foi levado para para uma região no Norte de Criciúma. Uma retroescavadeira cavou um buraco para que a equipe do Bope realizasse uma explosão dos artefatos apreendidos. "A explosão acontecerá de forma controlada pela equipe do esquadrão antibombas, para evitar riscos à sociedade", afirma. O local exato da ação não foi divulgado.

Além da organização do grupo criminoso durante toda a ação, outra coisa que chamou a atenção dos criciumenses e das forças de segurança foi o armamento utilizado durante o assalto. As armas e munições utilizadas eram consideradas arsenais de uso restrito das Forças Armadas.

O prefeito Clésio Salvaro (PSDB) postou um vídeo no Facebook afirmando que estava acompanhando o assalto “com muita preocupação” e que a cidade chegou a ficar sitiada. “É um assalto de grandes proporções com bandidos muito bem preparados”, falou. Ele pediu que a população não saia de casa. “Vamos deixar a polícia fazer o papel da polícia”, disse.

Apesar dos apelos para que ninguém saia na rua, vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores recolhendo o dinheiro que os bandidos deixaram para trás.

Antes de deixar a cidade, os bandidos colocaram explosivos em uma praça. A ação começou por volta da meia-noite e encerrou perto das 3h. Segundo as autoridades, o grupo saiu de Criciúma em um comboio de carros de alto padrão que seguiu para o sul.

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