Criminosos invadem Morro do São Carlos, no Rio

Criminosos expulsos do Morro do São Carlos pelo traficante Gilson Ramos da Silva, o Aritana, morto no mês passado em confronto com a PM, invadiram, na manhã desta segunda-feira a favela, na zona norte da capital, para retomar o controle das bocas de fumo, levando pânico aos moradores. Três granadas foram lançadas - uma explodiu - durante o violento confronto que durou duas horas, fechou as creches no interior da favela e deixou um homem morto e outro ferido.Na fuga, os invasores roubaram três carros nas vias de acesso ao morro. Um segurança particular da Rua Campos da Paz chegou a trocar tiros com os traficantes. Dois veículos foram atingidos pelos disparos. Amedrontados, motoristas deram marcha à ré. Houve correria entre os pedestres, que se jogaram no chão ou se refugiaram em bares e lojas.Usando quatro carros e uma moto, os criminosos subiram a favela pela Rua Ambiré Cavalcanti, surpreendendo os rivais, às 6 horas. Apontado pela polícia como traficante do Morro do São Carlos, Edmilson Gonçalves dos Santos, de 18 anos, foi baleado e morreu a caminho do Hospital Souza Aguiar, no centro. Mais tarde, os cinco veículos usados no ataque (quatro carros e uma moto) foram recuperados. A polícia apreendeu também carregadores e munição para fuzis.Os bandidos atacaram o Posto de Policiamento Comunitário (PPC) da PM, no alto da favela. Encurralados, os soldados pediram reforço do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O feirante Ubirajara Soares de Castro, de 61 anos, passou por um grande susto. "Quando saía de casa (no morro), uma bala acertou a parede e fui ferido pelos estilhaços", contou. "Graças a Deus estou vivo". Uma moradora que pediu anonimato disse que "nenhuma criança foi para a escola". "Não havia como sair de casa. Era muito tiro. Eu também faltei ao trabalho."A PM informou, em nota, que "após uma reunião entre o Comando da Unidade do Estácio e integrantes da comunidade, foi decidido que a Polícia Militar fará uma ocupação na região". Há três dias, policias militares do Batalhão da Estácio têm sido chamados constantemente para reforçar a segurança no São Carlos em razão de tiroteios. A disputa pelos pontos de venda de drogas na favela se intensificou após a morte de Aritana, de 22 anos, então chefe do tráfico.

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