Criminosos queimaram 24 ônibus no Rio; 8 feridos

Já são 24 ônibus e seis carros incendiados, além de bombas jogadas contra prédios e oito pessoas feridas em uma ação supostamente orquestrada por traficantes presos da facção criminosa Comando Vermelho e colocada em prática na capital, na Baixada Fluminense e no Grande Rio.Em 12 bairros, as lojas localizadas em ruas que dão acesso àsfavelas fecharam as portas. Um dos mandantes, segundo a Secretaria de Segurança, seria o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.Em Botafogo, na zona sul, um ônibus foi queimado sem que os passageiros pudessem sair. Cinco deles tiveram queimaduras e fraturas pelo corpo e estão internados. O caso mais grave é o de Auri Maria do Carmo, de 70 anos, que teve os dois braços e duas pernas queimadas e ainda quebrou uma das pernas. Os outros três feridos na ação de ontemforam policiais militares que estava num posto em Del Castilho, zona norte, atacado por traficantes armados de manhã. Um foi baleado no braço e dois, feridos por estilhaços. Eles passam bem. A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio (Fetranspor) informou à noite que a quantidade de ônibus incendiados chega a 24. Outros oito coletivos foram depredados e quatro metralhados. Além de Botafogo, as ações ocorreram nos bairros de Benfica, Del Castilho, Ilha do Governador, Vaz Lobo, Barros Filho e Méier, na zona norte; Jacarepaguá e Pedra de Guaratiba, na zona oeste; e nos municípios de Niterói, no Grande Rio, São João de Meriti e Duque de Caxias, ambos na Baixada Fluminense. Já o Corpo de Bombeiros registrou apenas 16 incendiados.Os bandidos também jogaram bombas contra alguns prédios. Na Avenida Veira Souto, na praia de Ipanema, três bombas de fabricação caseira foram detonadas em frente a três edifícios. Os estilhaços atingiram as vidraças de apartamentos dos primeiros andares, assustando moradores eporteiros. Uma granada do tipo M-5 foi deixada no canteiro em frente a outro edifício, mas não explodiu. Ninguém ficou ferido. Testemunhas contaram que os artefatos foram levados por homens que passaram numa moto.Bombas também foram detonadas na Praça da Bandeira, na zona norte, e no município de São João de Meriti, na Baixada. Os bandidos impediram ainda a saída de ônibus das garagens no centro da cidade. Funcionários de empresas da Tijuca, zona norte, foram ameaçados de morte. Paraevitar que os passageiros fossem atingidos por balas perdidas, os trens pararam de manhã em dois ramais. À tarde, a situação foi normalizada. A Polícia Militar reforçou o policiamento em favelas consideradas violentas. Em diversos bairros, comerciantes fecharam as portas das lojas, com medo dos traficantes. Alguns contaram que foram avisados por moradores dos morros próximos que tratava-se de uma determinação dos criminosos; outros decidiram encerrar o expediente porque o vizinho fizera o mesmo. ?Ninguém vai arriscar?, comentou uma lojista de Ipanema, onde fica o morro do Cantagalo. Na Tijuca e São Francisco Xavier, zona norte, supermercados chegaram a ser saqueados durante a madrugada, assim como em Jacarepaguá.O chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, informou que 22 pessoas foram presas e outras 30, detidas, por terem mandado fechar o comércio ou ateado fogo aos ônibus. Uma carta supostamente escrita por traficantes do Comando Vermelho foi encontrada em alguns dos pontos onde houve queima de ônibus e fechamento de lojas.O prefeito César Maia criticou o policiamento na cidade, o qual considera deficiente por falta de pessoal. Ele defendeu a transferência de Fernandinho Beira-Mar do Rio. ?Esse delinqüente tem que ser retirado do Rio, porque, provavelmente, está mostrando que sua quadrilha tem mobilização crescente.? Ele cobrou ainda resultados da Força-Tarefa criada pelos governos estadual e federal a fim de combater as ações do tráfico no Rio.

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