Crise aérea derruba comandante do Cindacta-1 em Brasília

O agravamento da crise no setor aéreo levou a Aeronáutica a substituir o comandante do centro de controle aéreo de Brasília (Cindacta-1), coronel Lúcio Nei Rivera. O posto foi assumido nesta terça-feira, 14, pelo também coronel Carlos Vuyk de Aquino. Nos próximos dias, ele assumirá a GM-5, assessoria do comandante da Aeronáutica para assuntos relativos ao controle de tráfego aéreo. A apresentação do novo comandante foi feita na tarde desta terça, durante a convocação de emergência feita pela Aeronáutica. Os controladores de vôo aproveitaram a ocasião para expor os motivos da insatisfação da categoria. "Eles não fizeram reivindicações trabalhistas nem de salário. Disseram apenas que se sentiam desprestigiados, pois suas sugestões não eram levadas em conta pelo antigo comando", disse o procurador Giovanni Rattacaso, do Ministério Público Militar, designado para acompanhar o desenrolar da crise. O coronel Aquino se comprometeu a ouvir as sugestões dos controladores e selou com eles um "compromisso de cooperação". Para tentar minimizar os efeitos políticos do aquartelamento, o novo comandante e todos os oficiais do Cindacta-1 também decidiram dormir hoje no quartel.O coronel Rivera estava à frente do Cindacta-1 desde janeiro deste ano. Antes, havia chefiado o setor operacional do centro de controle de Brasília.AtrasosOs atrasos nos vôos nos aeroportos de todo o País foram menores nesta terça, apesar de ser véspera do feriado da Proclamação da República. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), que administra 68 aeroportos, informou que entre a meia-noite e as 17 horas 34,8% dos vôos previstos partiram com atrasos superiores a 15 minutos em todo o País. Na segunda-feira, até esse mesmo horário, 42% dos vôos tinham sofrido atrasos. Dos 1.170 vôos previstos no País, 407 atrasaram. Os Aeroportos Internacional Tom Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, e Santos Dumont, no centro do Rio, lideraram a estatística de problemas, com demora superior a 20 minutos em 71% dos casos e 13% de cancelamentos. A situação foi mais grave no Tom Jobim, onde, de 59 vôos, 39 atrasaram e 8 foram cancelados. O tempo médio de espera foi de 1 hora e 50 minutos. Segundo a Infraero, a causa da maior parte dos problemas foi o mau tempo, sobretudo no Santos Dumont, que ficou fechado para pousos e decolagens entre 10h45 e 12h40. Os vôos programados para chegar naquele horário foram desviados para o Tom Jobim - onde, à tarde, pelo menos dois aviões tiveram mais de uma hora de atraso para a decolagem. Cerca de uma hora também foi o tempo de espera dos passageiros de 19 vôos no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.No aeroporto mais movimentado do País, o de Congonhas, em São Paulo, houve esperas de até duas horas, embora a Infraero tenha atribuído o caso mais grave, de um vôo da Ocean Air que só pousou duas horas depois do previsto, ao mau tempo no local de partida, Juiz de Fora, Minas. A situação em Congonhas foi melhor que a do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), onde houve demora de duas horas e meia em pelo menos cinco vôos.No Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos, foram registrados 46 vôos atrasados, entre 3h30 e 18 horas. Apesar disso, o dia foi considerado tranqüilo pela Assessoria de Imprensa do terminal. Os atrasos afetaram mais de 10% dos vôos, entre chegadas e partidas, mas, ainda segundo a assessoria de Cumbica, o tempo de espera não passou de uma hora.Cancelamentos O campeão em cancelamentos foi o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, região metropolitana de Belo Horizonte, com nove vôos prejudicados. Os maiores problemas estiveram relacionados a pousos de aviões vindos de capitais do Nordeste. Um avião da TAM, que partiu de Maceió, com escala em Salvador, aterrissou mais de três horas depois do previsto.Passageiros de 11 vôos no Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, enfrentaram espera de, em média, 11 vôos no Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. De acordo com a Infraero, até as 16 horas as exceções foram vôos que aterrissaram com quase duas horas de atraso, como o da Gol de número 1783.No Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, o dia começou com vôos saindo até antes do previsto, entre 6 e 9 horas. Mas o bom começo não se manteve. No balanço da Infraero, até as 18 horas ocorreram 38 atrasos em 108 pousos e decolagens. A média de espera foi de 47 minutos. Nesse mesmo período houve 33 vôos com procedimentos antecipados, em 7 minutos, em média, e apenas 1 cancelamento. Pedro Henrique França, Eduardo Kattah, Evandro Fadel, Liège Albuquerque, Natália Zonta, Fabiana Cimieri, Tatiana Fávaro, Fabiano Rampazzo, Isabel Sobral e Elder Ogliari

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