Crise atinge os trios elétricos e os blocos em Salvador

A crise financeira mundial também atinge os trios elétricos da Bahia, que neste ano enfrentam dificuldades para conseguir patrocinadores. Um dos blocos mais tradicionais do carnaval de Salvador, o Beijo, por exemplo, anunciou ontem que não vai para a avenida. Motivo: o principal patrocinador, que investiria R$ 600 mil na atração, desistiu do apoio, depois de constatar que o bloco havia vendido, até a semana passada, apenas 170 abadás. "É uma multinacional que passa por problemas por causa da crise", diz o produtor do bloco, Ari Ribeiro. Cada abadá custava R$ 100. A falta de patrocinadores atinge, em especial, os blocos menores e os blocos afro, que todos os anos penam para participar do desfile, mas figurões da axé music também estão tendo problemas. Daniela Mercury, que neste ano comemora os dez anos de seu Trio Eletrônico, que é independente - sem abadás -, diz que enfrenta dificuldade para fechar as cotas de patrocínio para o trio comercial que comanda, o Crocodilo. "Cada saída de um bloco grande custa R$ 350 mil, entre aluguel de equipamentos, pagamento de músicos, de segurança, de cordeiros", afirma. "Sem patrocínio, fica impossível fazer o carnaval. Só tirando do bolso." A venda de abadás para blocos registra crescimento tímido neste ano, de 2%, segundo empresários. "Os trios fizeram bastante sucesso nas últimas décadas e agora vemos o crescimento dos camarotes", diz o empresário Fred Boat, da Núcleo Produções. Mas, apesar dos problemas dos trios elétricos, a crise tem sido benéfica para o turismo baiano em geral. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia, a média de ocupação dos apartamentos no Estado é, nesta temporada, 15% maior do que no verão de 2008. A Secretaria de Turismo da Bahia também projeta crescimento de 15% na visitação turística em Salvador durante o carnaval - ano passado, estiveram na capital baiana, no período, 400 mil pessoas. A comercialização das entradas de camarotes para a folia segue o mesmo patamar de crescimento. O ano passado foi considerado muito ruim para o turismo. O dólar, mais baixo, incentivava as pessoas a viajar para o exterior. E o calendário "espremido" - o carnaval foi no início de fevereiro - não deu tempo suficiente para a comercialização dos produtos.

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