Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

Crise de governo abre espaço a ataques tucanos

Obras paradas, suspeitas de corrupção e ação de Lula são cobradas em discursos do PSDB

Christiane Samarco, Edna Simão, Felipe Recondo e Marta Salomon, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

O PSDB se uniu ontem para atacar o governo Dilma Rousseff e explorar a crise que cerca o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Último a discursar na convenção tucana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi a voz mais dura contra o governo. "É o governo da bazófia, do lero-lero, da intriga, é fracasso para todo o lado", disse.

Um dos pontos mais criticados por FHC foi o cartel de obras tocadas ou priorizadas pelo Planalto. "Nunca como antes teve obra parada, ou que não se sabe se vai começar, como o trem-bala, que é para servir às empreiteiras. Não pararemos, lutaremos contra o desperdício", discursou Fernando Henrique.

Outra crítica foi contra a disposição do governo de conceder aeroportos à iniciativa privada para concluir investimentos na Copa do Mundo. "Passaram anos criticando a privatização, agora vão fazer concessão. Vai ser um puxadinho aqui, outro ali."

O ex-presidente previu para 2012 o primeiro grande teste para a oposição: "A eleição municipal está próxima, temos de fazer trabalho de formiguinha."

Na mesma linha, o ex-governador paulista José Serra, derrotado pela petista Dilma Rousseff nas eleições de 2010, atacou, também, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou à ribalta da política em Brasília num esforço para conter a crise.

"Em muito pouco tempo de governo aquilo que se considerava de pior já está acontecendo. Cada vez mais, na Presidência da República, a sua ocupante do cargo governa cada vez menos. E aquele que não foi eleito governa cada vez mais. Esta é a realidade", disse Serra.

"Aquele mesmo que deixou para o País uma herança maldita, a herança maldita do governo Lula, que é a inflação subindo dos alimentos e serviços, as estradas esburacadas, a falta de aeroportos", emendou, sob aplausos dos convencionais tucanos.

Alvo. O enriquecimento de Palocci animou os discursos. "Este é o Brasil do engano. Temos um governo negligente, ineficiente, omisso, incompetente e que agora de novo começa a navegar nas águas da corrupção", disse o ex-governador paulista.

A presença de Lula, que desembarcou em Brasília em socorro do governo, foi criticada ainda pelo presidente reeleito do partido, deputado Sérgio Guerra (PE). "A Dilma é autoritária, não tem liderança e possui capacidade gerencial limitada", disse Guerra. "Foi como na campanha, sempre que havia problemas ela tomava uma injeção de Lula", afirmou.

O senador Aécio Neves (MG) preferiu não atacar diretamente o governo. Presidenciável do partido, o mineiro optou pelo marketing do próprio PSDB.

"Ninguém inovou tanto nesse país como inovou PSDB. Ninguém fez mudanças mais profundas nesse país como fez o PSDB. E se somos hoje um país melhor, e realmente somos, se somos um país moderno e se novamente voltamos a ser respeitados internacionalmente e se estamos diminuindo nossas diferenças regionais, tudo isso é consequência do que foi implantado no presidente do FHC. Foi estabilidade econômica. E com ousadia para fazer aquilo o que os que hoje estão no poder não tem coragem de fazer. Vamos, tucanas e tucanos de todo País, andar pelas ruas do País de cabeça erguida e dizendo "somos sérios, somos éticos e quando assumimos o governo sabemos fazer o que precisa ser feito"".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.