Crise derruba comandante do controle de tráfego aéreo

A crise no setor aéreo levou o Comando da Aeronáutica a exonerar na sexta-feira o chefe do Departamento de Controle de Tráfego Aéreo (Decea), brigadeiro Paulo Roberto Cardoso Vilarinho. No lugar dele, assumirá o também brigadeiro Paulo Hortêncio Albuquerque Silva, que estava à frente 3º Comando Aéreo Regional (Comar), no Rio. Neste sábado, o ministro da Defesa, Waldir Pires, negou que a crise aérea tenha sido o motivo do afastamento do brigadeiro. Segundo ele, a substituição é uma situação normal e corriqueira. "Essa é uma competência do comando da Aeronáutica que encaminhou a decisão ao presidente Lula. Isso é uma matéria de rotina, dentro das competências normais", afirmou.Em menos de 15 dias, Vilarinho é o segundo oficial substituído de um posto de comando. Às vésperas do feriado da Proclamação da República, o chefe do centro de controle de Brasília (Cindacta-1), epicentro do apagão aéreo, também deixou o cargo.A saída de Vilarinho foi decidida na noite de quinta-feira, em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno. Segundo fontes da Aeronáutica, o presidente estava insatisfeito com a forma como o militar vinha conduzindo a crise envolvendo controladores de tráfego aéreo do Cindacta-1.?O brigadeiro Vilarinho tem um estilo mais apaziguador e, por conta disso, a FAB (Força Aérea Brasileira) vinha sofrendo muita pressão. Essa troca é uma forma de contra-atacar e dar uma resposta à sociedade?, comenta um oficial da Aeronáutica.Também pesou na decisão o fato de o Decea não ter uma reserva de controladores para situações de emergência. Na segunda-feira, durante audiência pública no Senado, o próprio comandante da Aeronáutica reconheceu que errou ao não fazer esse planejamento e admitiu ter sido cobrado por Lula.?Foi falha minha, temos que ter uma reserva técnica?, afirmou Bueno durante audiência de quase oito horas com parlamentares.Na quinta-feira, enquanto seu futuro era decidido, Vilarinho passou o dia na Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá, interior de São Paulo, para tratar dos últimos detalhes da formatura dos 67 novos sargentos controladores, que ocorreu na sexta-feira.A troca do comando no Cindacta-1, no dia 14, também já havia sido feita para dar uma resposta à sociedade e, ao mesmo tempo, poupar o coronel Lúcio Nei Rivera das críticas que vinha sofrendo desde o início do apagão aéreo. Seu sucessor, o também Carlos Vuyk de Aquino havia mostrado habilidade para contornar uma crise semelhante à vivida hoje em Brasília. O coronel Aquino se comprometeu em ouvir as sugestões dos controladores e selou com eles um ?compromisso de cooperação?. O coronel Rivera estava à frente do Cindacta-1 desde janeiro deste ano. Antes, havia chefiado o setor operacional do centro de controle de Brasília. Segundo o ministro Waldir Pires, o aquartelamento dos controladores não precipitou a decisão de exonerar Vilarinho. "O aquartelamento se trata de uma medida de rotina na vida da Aeronáutica". O ministro, que participa em São Paulo da reunião do Diretório Nacional do PT, afirmou que todo o esforço do governo é voltado para a necessidade de trazer de volta à normalidade o serviço de transporte aéreo no Brasil.

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