Wilson Pedrosa/AE
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Crise derruba Palocci e obriga Dilma a mudar governo

Sem apoio na base e com silêncio da presidente, ministro negociou saída da Casa Civil alegando que sua permanência causaria ''a continuidade do embate político''; Gleisi Hoffmann assume

, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

Antonio Palocci deixou ontem o governo Dilma Rousseff. É a segunda queda do petista, que foi obrigado a se desligar do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando titular da Fazenda, após o escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

A crise iniciada com a revelação do vultoso patrimônio do petista - que teria acumulado milhões ao exercer a atividade de consultor na empresa Projeto no período de 2006 a 2010 - obrigou Dilma a mudar o ministério-chave de seu governo, indicando a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) titular da Casa Civil. Apesar do traquejo político da petista, quadro histórico do partido, ela assume com a promessa de exercer uma função gerencial - será a "Dilma da Dilma", definiram aliados. Ou seja, a presidente ainda terá de repensar o desgastado modelo da articulação política, com apenas seis meses de governo. Luiz Sérgio (Relações Institucionais) tornou-se um ministro temporária e Dilma dá sinais de que novas mudança virão.

O CUSTO PALOCCI

Articulação política

O ministro ficaria enfraquecido se permanecesse e teria de ceder a aliados. A crise evidenciou as deficiências da equipe política de Dilma, pois Luiz Sérgio (Relações Institucionais) também está fragilizado.

Gerência

Com a crise se arrastando por mais de 20 dias, o governo passou a temer a paralisia. Já havia sofrido derrotas no Congresso durante a discussão do Código Florestal e temia, agora, ficar refém da base aliada.

Relações com o PT

Palocci nunca contou com o apoio integral do PT e nos últimos dias as divergências tornaram-se explícitas. Somente um grupo próximo do ex-presidente Lula da Silva trabalhou, em vão, para manter o ministro.

Relações com aliados

Palocci estava desgastado. Parte da indignação dos aliados ocorreu graças à demora da presidente em definir nomeações. Ele também ameaçou ministros peemedebistas de demissão num telefonema ao vice Michel Temer.

Investigação

O parecer da Procuradoria-Geral da República que enterrou os pedidos da oposição para investigar Palocci deu apenas uma sobrevida ao petista, mas permanecia, ainda, a ameaça de instalação de uma CPI.

Falta de respostas

Palocci se recusou a revelar os nomes de seus clientes, o que manteve até o fim da crise as suspeitas de tráfico de influência durante a atuação do ex-ministro da Casa Civil como consultor de empresas.

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