Crise derruba parcerias em SP

Termos de cooperação entre Prefeitura e empresas para preservar praças caem de 30 para 6 por mês

Renato Machado e Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

15 Julho 2009 | 00h00

Uma das apostas da Prefeitura para manter bem cuidado o patrimônio e as praças de São Paulo, os termos de cooperação sofreram um duro golpe com a crise econômica, que afastou muitas empresas desse tipo de parceria. Entre janeiro e maio deste ano, foram firmados em média seis acordos por mês para a manutenção de praças, o que corresponde a praticamente metade do registrado mensalmente no ano passado (11) e um quinto da quantia de 2007 (30). "Um dos motivos para a redução foi que diminuiu o número de áreas altamente desejadas pelos patrocinadores, pois muitos acordos já haviam sido assinados anteriormente", justifica o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. "Além disso, há a crise econômica." Os termos de cooperação podem ser firmados tanto por empresas como por pessoas físicas que queiram cuidar de praças e outros monumentos. Os interessados procuram a subprefeitura do local e entregam uma proposta lacrada - como em uma licitação - e a iniciativa é publicada no Diário Oficial da Cidade para ver se há mais interessados. Se houver, é feita uma análise técnica das propostas e o vencedor fica responsável pelo local por entre um e três anos. O investimento varia desde o próprio esforço para varrer e cuidar das plantas - como fazem algumas associações de moradores que adotaram praças - a R$ 9 milhões, valor gasto na Praça Victor Civita, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Atualmente, há na cidade 4.911 praças, mas somente 606 (12%) contam com um termo de cooperação. A quantidade cresceu ano a ano até 2007, quando foi registrado um pico de 364 acordos. No entanto, teve início uma queda, passando para 132 em 2008 e para 32 entre janeiro e maio deste ano. Além disso, 81 termos de cooperação foram cancelados nesses anos. As regiões que lideram em termo de cooperação são as da Subprefeitura de Santo Amaro (81) e Pinheiros (71). Depois, aparecem Aricanduva, Campo Limpo e Butantã. Após o término dos termos de cooperação, muitas praças passaram a enfrentar os problemas decorrentes do abandono, como a Ramos de Azevedo, no centro. Em 2005, o grupo Votorantim adotou o local, contratando profissionais especializados para cuidar do paisagismo e da segurança. A segurança privada intimidou os mendigos e usuários de drogas que circulavam por ali. Mas o acordo terminou em dezembro de 2008. A empresa continua mantendo, por conta própria, o serviço de jardinagem, mas problemas contratuais impedem a manutenção dos seguranças. "De vez em quando, a Guarda Civil faz uma ronda na praça. À noite, muita gente é assaltada por aqui", diz o diretor do Museu Teatro Municipal, Márcio Sgreccia. Segundo o secretário Matarazzo, a Prefeitura está trabalhando em um projeto para ampliar a segurança na Praça Ramos e em todo o centro de São Paulo. NÚMEROS 606 praças atualmente são mantidas por meio de termos de cooperação 4.911 praças existem hoje na cidade de São Paulo 79% é a redução média mensal no número de termos firmados entre 2007 e este ano 81 termos foram cancelados nos últimos três anos, antes do fim do contrato

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