Crise em obras provoca demissão do presidente do Metrô

O presidente do Metrô, Luís Carlos David, pediu demissão nesta quarta-feira,21, ao governador de São Paulo, que aceitou o pedido. A demissão de David "por motivos pessoais", ocorre 40 dias depois do desabamento nas obras da futura Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela do Metrô, em 12 de janeiro, que causou a morte de sete pessoas. A secretaria informa que, interinamente, o secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, responderá pela companhia. Na semana passada, todas as 23 frentes de trabalho da Linha 4 do Metrô foram suspensas depois da divulgação de problemas na construção. Laudos feitos por técnicos, solicitados pela construtora, informam que as soldas na Estação Fradique Coutinho eram frágeis e que haviam sido utilizados materiais fora do parâmetro exigido. Foi divulgado que a medida seria realizada inicialmente por 14 dias, para promover um "pente-fino" nas obras e verificar problemas. Na ocasião, o secretário Portela exigiu do Consórcio Via Amarela a apresentação de um laudo que comprovasse a segurança das obras. Na tarde desta quarta-feira, o consórcio afirmou, por meio de nota, que não há riscos na obra e que notícias veiculadas pela mídia estariam trazendo conclusões "equivocadas" sobre a segurança na Linha Amarela. 12 ocorrências No total, de acordo com o comunicado, há 12 ocorrências de não conformidade na construção, que, entretanto, "não colocam em risco a segurança da obra." "Todas as demais não conformidades ocorridas ao longo do contrato já foram resolvidas e comunicadas ao Metrô. Portanto, reafirmamos a segurança dos procedimentos ao longo da obra da Linha 4", afirmou o consórcio. No final de semana, a revista Época trouxe uma reportagem afirmando que documentos internos do Metrô dariam conta de que o consórcio de empreiteiras responsável pelas obras da Linha 4 - Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez - sabia dos riscos nas proximidades da Estação Pinheiros um ano antes do desabamento. De acordo a revista, atas de reuniões entre representantes do Metrô e o consórcio das construtoras mostrariam que já havia sido percebido um aprofundamento na Rua Capri no dia 10 de janeiro de 2006. Segundo os documentos, a consultoria CNN Planejamento foi contratada para estudar as causas do aprofundamento da Rua Capri e enviar ao Metrô as conclusões e providências a serem tomadas. A empresa disse ter encontrado problemas na rede de água e esgoto da região. A versão foi desmentida pela Sabesp, que avaliou que o laudo não era conclusivo por conter apenas fotos da rua, desenhos de plantas e atas de reuniões. A Sabesp confirmou à reportagem ter feito análises no local e disse que não encontrou evidências de problemas nas redes de água e esgoto. Texto alterado às 9h29 de 22/02.

Agencia Estado,

21 Fevereiro 2007 | 21h47

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