Crise em torno do "presidente Teflon" ganha espaço na imprensa estrangeira

A crise política no Brasil gera cada vez mais atenção na imprensa internacional. Nesta sexta-feira, depois de quase uma semana da divulgação de documentos que causaram o novo escândalo político e a duas semanas das eleições presidenciais, os principais jornais europeus e americanos destacaram o caso da suposta compra de um dossiê contra o candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB), por pessoas ligadas ao PT.O jornal britânico The Guardian afirma na edição desta sexta-feira que "com a eleição presidencial a menos de duas semanas, um novo escândalo envolvendo chantagem, campanhas difamatórias e, supostamente, um dos aliados mais próximos do presidente e seu coordenador de campanha" emergiu no Brasil. O diário observa, no entanto, que as pesquisas de opinião pública mostram que a oposição não está conseguindo capitalizar as acusações.O Financial Times, principal diário financeiro da Europa, diz "justamente quando Lula parecia estar seguro com sua reeleição em 1o de outubro, seu governo está sendo abalado por ainda outro escândalo de corrupção". Segundo o jornal, a oposição encara o caso como uma oportunidade de última hora para reduzir a liderança de Lula nas pesquisas e forçar a realização de um segundo turno. "Mas se a oposição pensa que essas revelações mais recentes vão alterar o rumo da eleição ela está provavelmente subestimando a capacidade dos eleitores de considerar quase qualquer soma de atitudes ilegais na política como um fato rotineiro no país", disse o FT. A revista Latin Finance afirma que o presidente Lula, "apelidado de presidente Teflon(uma resina que impede que o alimento grude nas panelas) tem sido acusado de táticas de campanha dúbias contra seu principal rival", o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. "Embora a maioria dos analistas não acredite que o escândalo vai impedir que Lula seja reeleito, eles afirmam que isso poderá lhe causar problemas mais no futuro para aprovar reformas no Congresso", disse a revista financeira. O diário britânico The Independent afirma que o presidente Lula "tem procurado se distanciar do escândalo que envolveu vários de seus assessores ontem, apesar do caso ter se aproximado dele".O El País, principal jornal da Espanha, diz "que um novo escândalo de corrupção borrifa em Lula a uma semana das eleições". E, segundo a BBC, chegou a afirmar que o escândalo foi batizado de "Watergate tropical", destacando a tentativa de Lula de desvincular-se da crise.Para o espanhol ABC, o caso, "põe em sério risco sua reeleição". O diário enfatiza a declaração Geraldo Alckmin (PSDB), adversário de Lula na disputa, comparando o presidente a um ladrão de carros que diz que não precisava daquilo e somente roubou porque pensava que sairia incólume, segundo a BBC."O Brasil já fala em um Watergate versão local", diz reportagem do diário francês Libération. "Um novo escândalo enlameia o presidente Lula, candidato à reeleição e até agora dado como vencedor certo no primeiro turno", segundo informações da BBC. Entretanto, o diário observou que o inquérito do caso só deve ser concluído em 2007. Segundo a BBC, o diário alemão Frankfurter Rundschau diz que "mais uma vez, pessoas próximas ao presidente estão no centro de um escândalo". "A questão é se Lula também conseguirá superar esta crise intacto", avalia a reportagem.O diário americano The New York Times também dá destaque ao caso, dizendo que "justo quando Lula pensava que já havia passado pelo pior dos escândalos que atormentaram seu governo nos últimos 18 meses, um novo e especialmente danoso escândalo apareceu", segundo a BBC.Já o The Washington Post traz em sua edição desta sexta-feira um artigo de opinião criticando a condução da política econômica do governo Lula, mas que ignora totalmente o novo escândalo.

Agencia Estado,

22 de setembro de 2006 | 08h46

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