Crise estraga natal do ex-presidente Fernando Henrique

A crise do setor aéreo estragou o Natal em família do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois de cinco horas na fila do check-in da TAM, em Brasília, a filha caçula do ex-presidente, Luciana Cardoso, foi informada de que seu vôo para o Rio tinha overbooking e não havia vaga para ela. A companhia lhe ofereceu duas alternativas: fazer uma triangulação com vôos para São Paulo e Curitiba, ou remarcar a passagem para o dia seguinte. "Preferi não correr o risco e cancelei a viagem. Meu pai ficou muito triste e lamentou que a situação da aviação brasileira tenha chegado a esse ponto", disse.Fernando Henrique e sua mulher, dona Ruth Cardoso, chegaram ao Rio dias atrás para se juntar à família na casa do filho mais velho do casal, Paulo Henrique, na comemoração do Natal. A segunda filha, Beatriz, também já chegou. Luciana, que tentou embarcar com o marido, Getúlio Vaz, e a filha, Isabel, era aguardada neste sábado. "É um absurdo, um desrespeito. Comprei a passagem com muita antecedência", lamentou. Como ela, mais de 500 pessoas, remanescentes de vôos cancelados ou atrasados desde sexta-feira, tentavam ontem chegar aos seus destinos. Muitos deles vinham de outras locais e estavam exaustos. Para evitar as longas filas e stress no saguão do check-in, a TAM usou a tática de colocar os passageiros dentro das salas de embarque, mesmo sem a conformação do horário dos vôos.Muitos passageiros chegaram a ficar quatro horas ou mais dentro das salas. A irritação de vários deles chegou ao limite e alguns incidentes eclodiram ao longo do dia. O mais grave deles ocorreu no Portão 10, na sala de embarque para o vôo 9055, da TAM, com destino a São Luís. Vários passageiros eram remanescentes do dia anterior. Acionada, a Polícia Federal teve de usar uma equipe ostensiva, armada até de metralhadoras, para conter a ira dos passageiros mais revoltados, que ameaçavam agredir funcionários da companhia e invadir a aeronave, antes da autorização de embarque.Para evitar confrontos ou a repetição dos problemas do dia anterior, quando houve até invasão da pista de pouso e ameaça de quebra-quebra no saguão, o aeroporto montou um esquema especial de segurança. A área externa, incluindo saguão e filas de check-in, ficou a cargo da Polícia Militar. As salas de espera e portões de embarque, onde o clima ficou mais pesado, foram guarnecidos pela PF, que reforçou sua equipe. Soldados da Polícia da Aeronáutica cuidaram das pistas de pouso e decolagem.Um grupo de passageiros, oriundo de um vôo da TAM de São Paulo para Goiânia, cancelado na conexão de Brasília chegou a iniciar um protesto no balcão da companhia. Com o cancelamento, a empresa providenciou um ônibus para levar os passageiros a Goiânia, que fica a cerca de 200 quilômetros. Retida em Brasília desde as 10h, Lane Paranhos, uma das passageiras, teve um ataque de histeria por volta das 15h, quando soube que até o ônibus iria atrasar. Ela desferiu um beliscão nas costas do funcionário da TAM Délio Santos. Pela careta de Délio, o beliscão foi doloroso.

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