Crise faz empresas aéreas voarem e poluírem menos

As empresas aéreas vão reduzir em quase 8 por cento suas emissões de carbono neste ano, ao diminuírem o número de voos por causa da queda na demanda, disseram executivos do setor na terça-feira.

LAURA MACINNIS, REUTERS

31 de março de 2009 | 10h38

O setor aéreo já foi considerado o principal fator por trás do aquecimento global, que está vinculado à queima de combustíveis fósseis, como o petróleo. A crise global, no entanto, obriga as companhias a economizarem combustível, o que tem efeitos colaterais benéficos para o meio ambiente.

Cerca de 6 por cento da redução prevista nas emissões de carbono será resultante da redução de voos em 2009, e outros 1,8 por cento refletem medidas destinadas a melhorar a eficiência energética, segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês).

Giovanni Bisignani, diretor-geral da entidade, disse também que as principais companhias fizeram testes bem-sucedidos com biocombustíveis, o que gera a perspectiva algas e outros cultivos recebam a certificação para abastecer os aviões já a partir de 2010.

Empresas como Continental Airlines, Japan Airlines, Air New Zealand e Virgin obtiveram resultados positivos com combustíveis feitos de algas, de pinhão-manso e camelina (um tipo de linho).

"A certificação até 2010 ou 2011 é uma possibilidade real, e os benefícios potenciais são enormes", disse Bisignani em uma conferência sobre aviação em Genebra, onde fica a sede da associação.

"Um setor do biocombustível poderia ser um grande gerador de empregos e riqueza para o mundo em desenvolvimento", acrescentou.

A crise iniciada nos EUA, com repercussões mundiais, atingiu em cheio as companhias aéreas, que têm custos fixos elevados e precisam dos passageiros da classe executiva e do transporte de cargas para se manter.

Algumas companhias dos EUA já reduziram voos em resposta à queda na demanda, e empresas da Ásia e Europa devem seguir esse caminho, segundo a Iata, que estima que o setor aéreo terá prejuízos de 4,7 bilhões de dólares neste ano.

"Novos e maiores cortes estão planejados, mas continua difícil fazer isso com rapidez suficiente para acompanhar a queda na demanda", disse a Iata em seu último relatório sobre perspectivas financeiras.

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