Crise financeira afeta réveillon no Rio

Ocupação hoteleira será 10 pontos porcentuais inferior a 2007; cancelamentos e cortes de verbas ofuscam festa

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

O réveillon carioca sente os reflexos da crise financeira internacional. Com menos turistas estrangeiros nos hotéis e cancelamento de shows em Ipanema e Flamengo, o evento de Copacabana, cujo orçamento teve corte, enfrenta o desafio de manter o glamour de edições passadas que deram à cidade a fama de promover a maior festa do País. Para piorar, o tempo não ajuda e há ainda a previsão de chuva para a hora da virada.Desentendimentos entre autoridades municipais e estaduais afetaram a festa. A Polícia Militar alegou não ter como manter a segurança além de Copacabana. Patrocinadores avisaram em novembro que não investiriam no réveillon. A verba para os fogos caiu de R$ 1,7 milhão para R$ 1,5 milhão, mas a quantidade de explosivos (24 toneladas) foi mantida. "Eles diversificaram os fornecedores para baratear a importação, mas as bombas têm a mesma qualidade", disse Rubem Medina, presidente da Riotur.Nos hotéis, a taxa de ocupação caiu dez pontos porcentuais em relação ao ano passado. Em 2007, apenas 2% dos leitos estavam vagos. Neste ano, a expectativa é alcançar 88% de ocupação - as reservas estavam em 82% na semana passada. "Há uma crise internacional e houve uma inversão no perfil do turista. No ano passado, 70% eram estrangeiros. Agora, esperamos 70% de turistas vindos de outros Estados do Brasil", disse Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira.A mudança se reflete no perfil dos passeios. Os turistas estrangeiros permanecem na capital, enquanto os brasileiros procuram o interior. A taxa de ocupação de cidades como Conservatória, no médio Paraíba, Búzios e Cabo Frio, na região dos Lagos, e Petrópolis, na região Serrana, está superior a anos anteriores. Lopes disse, no entanto, que os gastos serão menores. "O viajante internacional gasta, em média, US$ 250 por dia. O nacional, R$ 300. Isso significa menos dinheiro."Apesar das dificuldades, o presidente da Riotur disse que a qualidade do réveillon será mantida. "Nós diversificamos as festas, criando atrações em outros pontos da cidade", afirmou Medina. Haverá fogos na Barra da Tijuca, Ilha de Paquetá, Penha e Ramos, no piscinão, onde os cantores Dicró e Kelly Key serão as atrações. Em Copacabana, a contagem regressiva será projetada numa roda-gigante de 36 metros de altura, montada no Forte. O tema do brinquedo será a candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos de 2016. No céu, os motivos dos fogos serão "os quatro elementos da natureza". A cantora Mart?nália sobe ao palco depois do grupo Revelação. As baterias das escolas Beija-Flor, Grande Rio e Mangueira encerram a festa, com a missão de manter o público por mais algumas horas na areia e evitar trânsito e ônibus e metrô lotados. CLIMAO Rio está sob efeito de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul, que ocorre quando frentes frias são alimentadas pelo ar úmido do Norte, trazendo mau tempo. A chegada de uma nova frente fria amanhã aumenta a chance de chuvas. "O dia começa abafado, com temperatura de 30°C. A partir da tarde haverá chuva moderada", disse Aline Tochio, meteorologista da Climatempo.

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