Crise na pasta complica xadrez da reforma ministerial

Aliados falam das 'amantes de direita' do PT; e petistas pensam em Di Filippi para as Cidades

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2011 | 03h05

A crise política envolvendo o Ministério do Esporte, hoje comandado pelo PC do B, assanhou a base de apoio do governo, de olho na dança das cadeiras, e escancarou insatisfações de antigos aliados do PT. À espera da reforma ministerial, prevista para janeiro de 2012, partidos já produzem listas com nomes que gostariam de emplacar na Esplanada e tradicionais parceiros do time petista, como o PC do B e o PDT, avisam que não aceitarão o rebaixamento para a segunda divisão.

"O PT casou com o PMDB e arrumou amantes da direita. Será que agora vai querer dar outra guinada e se livrar da esquerda?", provoca o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical. Com as barbas de molho, os trabalhistas sabem que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é um dos cotados para cair na reforma que a presidente Dilma Rousseff fará na equipe e não escondem a revolta.

A exemplo de Orlando Silva (PC do B), mantido por Dilma no Esporte, Luppi também enfrentou denúncias de uso indevido do dinheiro público, em convênios firmados no Trabalho, para abastecer o caixa de seu partido. Os dois ganharam sobrevida porque a presidente tenta segurar as demissões a conta-gotas, mas estão na corda bamba.

Na avaliação do governo, depois da queda de cinco ministros - quatro por suspeitas de corrupção -, o cenário menos traumático agora, para não comprar mais briga com os aliados num momento de votações importantes no Congresso, é o da mudança coletiva, em meio à reforma.

Mesmo assim, ninguém no Planalto garante que não haverá mais trocas até o início de 2012.

A cúpula do PC do B cerrou fileiras na defesa de Orlando, ameaçou enfrentar o PT e até romper com o governo em caso de dispensa. Nos bastidores, comunistas foram sondados sobre a possibilidade de um escambo: trocar o Esporte pela pasta de Cultura, hoje dirigida por Ana de Hollanda. A articulação não deu certo. Indicada pelo PT, mas sem filiação partidária, Ana também enfrenta forte desgaste na equipe.

"Nós estamos tranquilos porque não aceitamos o linchamento moral contra o PC do B. Não é questão de mudar de ministério. Não somos um partido fisiológico e ninguém vai tirar um ministro nosso no grito", disse o senador Inácio Arruda (PC do B-CE).

Olheiros. Depois de tantos problemas na gestão do governo, Dilma quer aproveitar a leva de mudanças para pôr técnicos de sua confiança em secretarias executivas, independentemente das indicações partidárias.

Para a presidente, a ideia de que o ministério com "porteira fechada" funciona melhor caiu por terra com a sucessão de crises. Aborrecidos, aliados dizem que o PT quer pôr "olheiros" para vigiar seus indicados porque não sabe dividir o poder. "Já desmontaram o Ministério do Trabalho e passaram todas as negociações importantes para a Secretaria-Geral da Presidência", reclamou Paulinho. "Mas há muita insatisfação do movimento social com esse governo. O que fizeram com as greves é coisa da ditadura."

Para o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), as queixas são injustas porque parceiros tradicionais do petismo "sempre terão espaço" no governo.

Tudo indica, no entanto, que a nova correlação de forças da reforma ministerial provocará mais descontentamentos.

Motivo: nessa partilha, Dilma observará o tamanho dos partidos para redistribuir os cargos e orçamentos da Esplanada. O PP, por exemplo, pode perder o Ministério das Cidades, hoje dirigido por Mário Negromonte, que não tem mais apoio da maioria da bancada. As dificuldades de Negromonte atiçaram a cobiça do PT, que pretende reapresentar o nome do deputado José Di Filippi Junior (SP) para Cidades e retomar o controle da pasta.

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