Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Crise na segurança pública se alastra pelas capitais do País

Guerra do tráfico, massacre em penitenciária e sucateamento das polícias explicam o aumento dos assassinatos nos grandes centros urbanos brasileiros

Marco Antônio Carvalho, Lauriberto Pompeu e Ricardo Araújo, O Estado de S. Paulo e Especial para o Estado

21 Agosto 2017 | 03h00

A escalada dos homicídios no Brasil, que subiram 6,8% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período em 2015, reflete a grave crise de segurança pública pela qual passam alguns dos principais centros urbanos do País.   

Com 2.976 crimes contra a vida no primeiro semestre, o Rio de Janeiro vive a crise com maior destaque no País atualmente. Se não é o maior aumento (14,2%) entre os Estados, a violência no Estado assume contornos de guerra com recorrentes mortes por balas perdidas, uso de fuzis, execuções de policiais e execuções por policiais. 

A situação levou o governo federal a desenvolver um plano específico para a capital fluminense, deslocando 8,5 mil agentes das Forças Armadas. Em nota, o secretário de Segurança, Roberto Sá, disse reiterar a “importância da mudança das leis criminais para reverter o quadro de banalização do crime”. 

No Rio Grande do Norte, nem o reforço de 23 agentes da Força Nacional para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil potiguar conseguiu representar um avanço efetivo no combate ao alto número de homicídios no Estado: 1.466 assassinatos do começo do ano até o início de agosto, ante 1.181 no mesmo período do ano passado. Quase 1,5 mil inquéritos tramitam atualmente na Divisão.

O Rio Grande do Norte assistiu no começo do ano a um massacre na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, onde 26 detentos morreram. Era o estopim de um conflito que se desenhava desde 2016 entre integrantes do PCC e do Sindicato do Crime, facção local. A disputa é apontada como um dos fatores para a manutenção do clima de violência no Estado. O governo do Estado afirmou estar investindo cerca de R$ 77 milhões em ações na área da segurança.

Já o Espírito Santo desenvolvia com relativo sucesso uma política que conseguia reduzir as taxas de homicídio, tirando o Estado da lista dos mais violentos, onde figurou por anos. A paralisação dos serviços da Polícia Militar em fevereiro, no entanto, afetou a política e reverteu o quadro: de 759 casos em oito meses, passou para 948 no mesmo período deste ano.

“O resultado do ano está comprometido por fevereiro. Mas estamos trabalhando para tentar minimizar as consequências da paralisação e chegar a um resultado positivo em breve”, disse o secretário de Segurança, André Garcia.

Já o Ceará teve um dos maiores aumentos semestrais do País, que é explicado, em parte, pelas brigas entre facções por território de venda de drogas. “Precisamos combater isso com políticas públicas de educação”, disse a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza, vereadora Larissa Gaspar (PPL). Para ela a defesa da vida tem de ser levada em conta pela Segurança Pública com “adoção de geração de emprego e renda”.

O secretário de segurança, André Costa, diz que os índices são altos e preocupam. “Estamos em alerta, mas estimulados e trabalhando muito para melhorar e reduzir o número de vítimas da violência”, diz, lembrando que mais 1.400 candidatos do último concurso da Polícia Militar foram chamados no começo do mês e outros 2.800 já estão em treinamento.

São Paulo. Não é sempre que se vê São Paulo aparecer na lista dos que aumentaram os crimes contra a vida. O Estado viu os homicídios dolosos reduzirem aos patamares mais baixos desde que começou a registrar esse tipo de estatística. Uma particularidade, no entanto, ajuda a explicar a elevação nas cidades paulistas no primeiro semestre deste ano: os latrocínios.

Os roubos seguidos de morte, na contramão dos homicídios, estão no nível mais elevado desde 2003, fazendo o Estado chegar no primeiro semestre a 1.998 vítimas, ante 1.947 no mesmo período do ano passado – um aumento de 2,62%.

A Secretaria da Segurança informou ao Estado que realiza operações para combater crimes contra o patrimônio, “que são aqueles que originam as ocorrências de latrocínio”. “São Paulo tem a menor taxa de homicídios do Brasil. As políticas públicas de combate aos crimes contra a vida permitiram que o Estado atingisse o índice de 7,86 casos por 100 mil habitantes”.

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