Crise não foi causada por falta de recursos, diz ministro

O ministro do Planejamento e Orçamento, Paulo Bernardo, disse nesta sexta-feira, 8, em Curitiba, que os problemas no tráfego aéreo brasileiro não foram ocasionados por falta de recursos, apesar de salientar que há restrições orçamentárias. "Se tivessem pedido e tivesse sido negado, poderiam falar, mas não houve pedido nenhum", acentuou. "E nem mesmo dos controladores, não há pedido de aumento de salário", acrescentou. "Falar que é falta de recurso, não. Não pode ser tratado desse jeito."Segundo ele, o problema é de gestão do controle. "Pelo que pude concluir, estamos com concentração muito grande no Cindacta-1, de Brasília, e não tínhamos pessoas com condições plenas de fazer a manutenção e garantir o pleno funcionamento dos equipamentos, acrescido de que em um momento havia dificuldades na relação com os controladores, que precisa também ser resolvida", analisou. Mas reconheceu que é preciso fazer investimentos para mudar essa forma de gestão.De acordo com Bernardo, um comunicador de voz custa cerca de US$ 3 milhões e seriam necessários um ou dois em São Paulo e Rio de Janeiro. "Não é um volume grande", salientou. O ministro acrescentou que uma peça que foi trocada de forma errada e ocasionou problemas custa no máximo US$ 100 mil. "Não é problema de dinheiro", reforçou. "É problema de gestão mesmo, de forma de organização. Nós deixamos que houvesse concentração muito grande em Brasília, o sistema deu pane e não tinha alternativa."Bernardo disse que há necessidade de definir uma estratégia para resolver de uma vez essa situação. "E aí discutir os recursos e colocar dinheiro", afirmou. "Se qualquer coisa que acontece, achar que foi falta de dinheiro, então não tem solução nunca." Ele lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu a questão, na noite de quinta-feira, 7, com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e o comando da Aeronáutica. "E a decisão é esta: nós vamos reorganizar o sistema de controle de segurança de vôo e, com certeza, vai ter que gastar alguns milhões. Mas isso é prioridade", garantiu.

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