Antonio Lacerda/EFE
Antonio Lacerda/EFE

Após ameaças a motoristas, ônibus são recolhidos no 6º dia de crise no ES

Coletivos chegaram a circular com frota reduzida, mas sindicato alegou falta de 'condições mínimas de segurança' e demora para chegada de Exército

Marcio Dolzan, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2017 | 08h57
Atualizado 09 Fevereiro 2017 | 13h32

VITÓRIA - Os ônibus urbanos na Grande Vitória foram recolhidos às garagens na manhã desta quinta-feira, 9, por determinação do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Espírito Santo (Sindirodoviários-ES). Os veículos chegaram a circular com frota reduzida no início da manhã, mas pelo fato de os terminais rodoviários "não oferecerem as condições mínimas de segurança" eles paralisaram novamente as atividades.

O presidente do sindicato, Edson Bastos, informou, em nota, que os militares do Exército demoraram para chegar aos terminais para realizar o patrulhamento.

"Tivemos registro de dois motoristas ameaçados, além de incidente em que um ônibus foi fechado por criminosos que ameaçaram incendiar o coletivo no centro de Vitória", afirmou Bastos.

Segundo Bastos, o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari (Sintrovig), Walace Belmiro Fernaziari, foi morto a tiros, perto da garagem da Viação Sanremo, em Vila Velha, na Grande Vitória.

A crise na segurança pública no Espírito Santo chega nesta quinta-feira ao sexto dia com a população ainda com muita sensação de insegurança. No início desta manhã, as ruas de Vitória apresentam mais uma vez pouca movimentação.

Até o fim da tarde desta quinta-feira, mais 650 homens do Exército e da Força Nacional de Segurança devem chegar ao Estado, elevando o contingente para 1.850. O governo informou que são necessários pelo menos 2.000 para fazer a segurança em todo o Espírito Santo. Em circunstâncias normais, esse é o contingente diário apenas na Grande Vitória.

As aulas seguem suspensas, e o comércio funciona parcialmente. A situação é um pouco melhor do que aquela vista no início da semana, mas a população ainda está com medo. Mesmo com o reforço na segurança com tropas federais, o patrulhamento nas ruas é pequeno. 

No início da manhã, o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia, declarou em entrevista ao telejornal Bom Dia ES, da TV Gazeta, que a situação "está melhorando", mas admitiu que sensação de insegurança deverá perdurar por mais alguns dias.

"Mesmo com a presença da Polícia Militar (após o fim da paralisação), vai haver essa sensação de insegurança", afirmou. "A Polícia Militar vai precisar recuperar a sua imagem, que foi jogada na lama." 

Durante a madrugada, a sede da TV Gazeta, na Ilha de Monte Belo, em Vitória, foi atingida por quatro disparos. Os tiros foram dados em direção a um auditório. Ninguém estava no local no momento.

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