Crise no mundo árabe pode prejudicar empresas aéreas, diz Iata

Companhias aéreas que possuem operações no Oriente Médio e norte da África podem registrar perdas este ano, com a queda brusca no turismo e os preços do petróleo disparam em meio às incertezas políticas e à escalada da violência na região.

REUTERS

23 de fevereiro de 2011 | 17h03

Protestantes líbios estão resistindo às desesperadas tentativas de Muammar Gaddafi de acabar com a revolta que exige o término do seu mandato de 41 anos. Os protestos seguem os ocorridos nos vizinhos Egito e Tunísia, onde movimentos populares derrubaram os respectivos líderes.

"Se a agitação continuar, pode-se chegar a um patamar em que as companhias aéreas não poderão voar para estes países", afirmou Gunther Matschnigg, vice-presidente sênior de segurança, operações e infraestrutura da Iata, organização mundial do setor.

Ele disse que as companhias sediadas no Golfo e outras empresas europeias que operam na região podem ser afetadas diante deste cenário.

Emirates, British Airways, Lufthansa e outras companhias aéreas suspenderam voos para a capital líbia, Tripoli, com efeito imediato nesta terça-feira.

Operadores turísticos da Europa cancelaram diversos voos para o Cairo no mês passado, diante de protestos nas ruas que pediam a saída do presidente Hosni Mubarak, o que representou um golpe para a indústria do turismo, responsável por um a cada oito empregos no Egito.

"Países como Egito e Tunísia são populares entre turistas e pessoas nestes países também são dependentes do turismo. A agitação no Oriente Médio afetará o crescimento do tráfego", disse Matschnigg.

A Egypt Air se ofereceu para alugar 25 de seus novos aviões para tirar turistas do país.

A Emirates, uma das maiores companhias aéreas do mundo árabe, reduziu sua frequência de voos de ida e volta para o Cairo de 13 para 7 por semana. Outras companhias também reduziram seus voos para o Egito.

PREÇO DO PETRÓLEO OSCILA

O diretor-geral da Iata, Giovanni Bisignani, disse nesta quarta-feira que as companhias aéreas são "bastante desafiadas" pelo aumento do preço do petróleo decorrente da crise no Oriente Médio.

A desordem na Líbia, responsável por cerca de 2 por cento da produção mundial de petróleo, levou os preços do Brent para cerca de 108 dólares o barril na segunda-feira, maior cotação em dois anos e meio.

"Assumindo que a situação continue, os preços do petróleo devem atingir de 115 a 120 dólares por barril dentro das próximas duas semanas, o que poderia resultar em perdas para empresas aéreas em todo o mundo este ano", disse o analista da indústria para América do Sul e Oriente Médio da Frost & Sullivan, John Siddharth.

Matschnigg, da Iata, afirmou que o aumento nos preços pode forçar o setor de aviação a pensar em sobretaxas de combustível, aumentando desta forma o custo das passagens.

"Se os preços aumentarem nós teremos uma discussão sobre sobretaxas", disse ele.

"Muitas companhias aéreas que fizeram hedge de combustível precisam, mas não todas. Tudo depende de por quanto tempo a situação vai continuar."

(Por Praveen Menon)

Tudo o que sabemos sobre:
AEREASPETROLEOPRECOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.