Crise no setor aéreo prejudica ocupação de hotéis no País

A operação-padrão adotada pelos controladores de vôo de Brasília não prejudicou somente os embarques e desembarques nos aeroportos do País. O prejuízo atingiu também a indústria hoteleira em pelo menos quatro capitais do País, Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador e Maceió, que recebem muitos turistas.Em Fortaleza, as perdas ainda não foram calculadas. Mas, nos hotéis de luxo da Avenida Beira-Mar, principal cartão-postal da cidade, 10% dos apartamentos com hospedagem pagas antecipadamente permaneciam vazios até esta sexta-feira, 3.O baixo movimento decepcionou também os donos de restaurantes que se prepararam para um intenso movimento no feriado aumentando o número de garçons e cozinheiros em 40%. Vôos com destino à cidade têm sido cancelados por conta da desistência dos passageiros.Quanto mais próxima fica a alta estação - que começa no dia 20 de dezembro -, mais aumenta o medo dos empresários do setor diante do impasse com os controladores de vôo. Régis Medeiros, presidente do Fortaleza Convention & Visitors Bureau (FCVB), teme que os constantes atrasos dos aviões levem os turistas a desistirem de passar as férias na cidade.RioNo Rio, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-RJ), Alfredo Lopes, estima que a desistência chegue a 20% das reservas. Ele acredita que, ao saber do estresse que teriam ao viajar, muitos visitantes, vindos principalmente dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais, tenham desistido do passeio e cancelado seus pacotes. Os números serão fechados no fim do feriado."Quem planeja viajar num feriadão para relaxar do dia-a-dia não quer passar horas num aeroporto, esperando um vôo", acredita Lopes. "Tínhamos calculado que a taxa de ocupação seria de 86%. O pior é que este é o nosso último feriado prolongado do ano, antes das festas".Os hotéis de médio porte, como o Ipanema Plaza, na Rua Farme de Amoedo, sofreram o impacto do problema nos aeroportos. Lá, a taxa de ocupação é boa: 70%. Mas poderia ser melhor, já que foram contabilizados 20 cancelamentos. Na orla de Copacabana, os turistas estrangeiros acabam sendo o fiel da balança, já que planejam a viagem com mais antecedência e não são tão impactados pelas notícias das confusões nos terminais.O presidente da Abih acha que o efeito está sendo mais sentido na capital do que no interior do Estado, uma vez que, para as cidades menores, os visitantes vão de automóvel ou de ônibus.MaceióOs atrasos de vôos também provocaram cancelamento de 20% dos pacotes turísticos com destino a Maceió. Foi o que garantiu o gerente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Alagoas (ABIH/AL), Paulo Kaugelmas. Segundo ele, o trade turístico local se reúne na próxima segunda-feira para avaliar os prejuízos provocados pelos atrasos nos vôos regulares. "Só os vôos fretados não foram atingidos pela operação-padrão", garantiu.Salvador Em Salvador, o setor de turismo também teve prejuízos com relação aos pacotes para o feriado, como perda de conexões evitando que as pessoas chegassem no dia certo. Com isso, os turistas deixaram de aproveitar a primeira diária dos hotéis reservados. Para Pedro Costa, presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagem de Salvador (ABAV), é muito cedo para se falar em números. Segundo ele, os hotéis poderão abrir mão de cobrar a primeira diária ou acumular crédito para o hóspede em uma outra data. "Não houve nenhum caso de cancelamento", afirmou, lembrando que os turistas que só tiveram perda com a passagem, deverão buscar seus direitos junto às companhias aéreas.Críticas Manoel Cardoso Linhares,presidente da Abih-CE, quer que o governo adote medidas imediatas para solucionar a crise. Eliseu Barros, gerente do Marina Park Hotel, também deseja que o problema seja resolvido rapidamente. "Caso contrário, todo o investimento e trabalho realizados ao longo do ano para atrair visitantes para o Estado não valerão de nada", afirmou Barros.O presidente da Abih-RJ, Alfredo Lopes, também criticou o governo brasileiro pela forma como a questão foi administrada. "Nosso negócio fica à mercê de um número enorme de variáveis. O governo demorou muito a agir. Como podem dizer que não tinham conhecimento do problema?" Colaboraram Ricardo Rodrigues e Alessandra AquinoMatéria alterada às 19h50 para acréscimo de informações

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