Cristovam defende congelamento de gasto e reformas

Reduzir os juros por meio de um pacto de congelamento dos gastos públicos ao longo dos próximos anos. É o que defendeu o candidato à presidência da República senador Cristovam Buarque (PDT-DF), em entrevista ao Broadcast Ao Vivo. Segundo Cristovam, essa seria uma das medidas mais imediatas a serem tomadas para colocar o Brasil na rota de um crescimento sustável e mais acelerado."Se a gente fizer isso, (a economia) acena para uma redução do déficit e, com isso, acena para uma redução de juros, que por sua vez reduz os gastos", explicou Cristovam, que foi ministro da Educação no governo Lula, quando ainda era filiado ao PT.Além disso, o candidato do PDT, que é engenheiro mecânico e doutor em Economia pela Universidade de Sorbonne, acredita serem necessários mais investimentos em infra-estrutura, especialmente em estradas e hidrovias.Cristovam Buarque, no entanto, não mostrou ter intenção de muitas mudanças na economia, mas de "ajustes", como no caso da política cambial. "Não vejo alternativa muito diferente da atual. O que podemos fazer é comprar mais ou menos. Isso não é mudança de política, é ajuste", explicou.Fundo agrícolaPara que o câmbio não prejudique o setor agrícola, o candidato propõe a criação de um fundo que permita cobrir o prejuízo do produtor sem mexer na política livre de câmbio. Esse fundo, explicou, seria feito com reservas de contribuições privadas e públicas. "A gente não pode ficar com o manejo do cambio como forma de equilibrar perdas e ganhos", frisou.ReformasO senador Cristovam Buarque se mostrou favorável ao sistema de metas de inflação. "Eu sou um defensor das metas inflacionárias. Sem essas metas, nós perderemos facilmente o controle da estabilidade. A cultura brasileira, mesmo depois de 12 anos do Real, ainda é uma cultura inflacionária", disse o senador.Embora necessária, a reforma tributária não pode ser "apressada", segundo o candidato. Para ele, a reforma tem de ser lenta e feita de forma gradual com o propósito claro de simplificar a legislação, reduzir o número de impostos, a carga fiscal e as alíquotas de alguns impostos, para permitir o aumento da arrecadação e evitar a sonegação. Segundo o candidato, uma reforma feita às pressas poderia levar a uma queda muito expressiva da arrecadação, desarticulando serviços públicos, uma vez que poderia forçar demissões.Outro problema, segundo ele, seria aumentar demais a arrecadação com uma reforma "errada". "Seria um absurdo completo num país que já tem uma carga de 40%. Acho que nem o Luiz XIV, na França, tinha uma carga tão alta para manter Versailles no luxo que tinha. E olhe que lá terminou gerando uma revolução", afirmou.Com relação à reforma Previdenciária, Buarque acredita que a Previdência não pode ser vista simplesmente como uma "caixa financeira". "Vai ter que haver uma adaptação do sistema atuarial com a realidade demográfica", propôs.Ouça a íntegra da entrevista

Agencia Estado,

11 de setembro de 2006 | 15h14

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