Cristovam diz que PT se acomodou e propõe medidas anticorrupção

O candidato à Presidência da República pelo PDT, Cristovam Buarque, disse nesta quarta-feira, 20, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, que nem ele, quando esteve no PT, nem 99% dos militantes da legenda sabiam do que está acontecendo dentro do partido, depois da onda de escândalos. "O que me incomoda no PT de hoje é que ele se acomodou. Você não vê um militante do PT contestar o fato de que seus companheiros estão fazendo essas coisas, como se acomodou também com um governo que não é mais transformador", afirmou.Cristovam propõe pelo menos quatro medidas para diminuir a corrupção no País: tratar a corrupção como crime hediondo; parar de chamar o crime de corrupção e substituir a expressão por roubo; ocupar os cargas de direção no serviço público por concursados; acabar com a reeleição até para a Câmara e o Senado."A reeleição é um instrumento que induz à corrupção para viabilizar o segundo mandato. Eu proponho acabar com a eleição mais de uma vez para o senador e só duas vezes para o deputado", disse o candidato. Para Cristovam Buarque, o bom governo é aquele que mesmo tendo ladrões não consegue roubar. Ele ressaltou que vai fazer do Brasil um país ético por meio da revolução da educação. "Dizem que eu tenho uma nota só. Mas é porque pela educação passa tudo", afirmou Cristovam, referindo-se ao seu principal tema de campanha.Cristovam disse que tem a proposta para defender o futuro do Brasil: "A educação é um instrumento para derrubar o muro da desigualdade e do atraso".Salário mínimoO pedetista disse que o salário mínimo tem que aumentar mais, mas sem perder o controle da inflação. "Se aumentar muito e pressionar as contas do Estado e a inflação voltar, estaremos mentindo para o trabalhador. Vamos aumentar o máximo possível, sem trazer a inflação", afirmou."Salário mínimo não pode ser visto só como parte monetária. Tem que ver também a melhoria da escola do filho do trabalhador. Melhor as vezes do que aumentar o salário mínimo é aumentar o salário do professor do filho dele. Isso é difícil de passar. Todo mundo só pensa na moeda, no poder de compra", disse.Chapa e partidoCristovam disse que é positivo para a sua campanha o fato do candidato a vice na chapa, senador Jefferson Péres, ter manifestado na tribuna seu descontentamento com a política e o desejo de não voltar mais à disputa eleitoral, depois do término de seu mandato no Senado. "Eu acho isso positivo para campanha - ter um vice que assume, como o povo inteiro neste País, que está desencantado. Nós estamos desencantados", afirmou. "Eu tenho certeza que esse sentimento dele vai reorientar, vai lutar ainda mais por um país decente", considerou.O candidato pedetista afirmou ainda que não reclamou do seu partido em relação à participação na campanha eleitoral. "Eu disse que não consegui entusiasmá-los para a campanha. Em parte, talvez, por falha minha, mas sobretudo pela necessidade de cada deputado do PDT se elegerem nos seus estados. E aí, às vezes, eles preferem alianças com presidentes que estão melhores nas pesquisas e terminam deixando a candidatura do PDT de lado. Não reclamei deles, basicamente. Eu apenas fiz uma análise. Parte da culpa provavelmente é minha", considerou.Ele discorda, porém, da menção de que a falta de participação do PDT em sua campanha seja decorrente do choque de posições com o candidato. "Eu fui escolhido em um longo processo de debate, com contestações internas, inclusive nisso, porque eu tenho posição sobre a economia de hoje, não aquele de anos atrás", afirmou."Eu cheguei a defender, em 98, que se Lula fosse eleito ia manter Malan por cem dias. E mais: eu defendo que o Banco Central não seja um apêndice do governo; tenha sua independência. Vou mais longe: que tenha mandato e que o mandato do presidente do BC não coincida com o mandato do presidente da República. Tudo isso foi debatido dentro do PDT e no fim fui escolhido com mais de 2/3 dos votos".Cristovam Buarque reconheceu porém, que é muito difícil substituir Leonel Brizola nas disputas à presidência da República. "Leonel Brizola era uma empolgação total. E chego eu, com discurso inclusive não exatamente igual. Natural que haja esse certo afastamento".Segundo turno]Buarque disse que se houver segundo turno para a presidência da República o seu partido é quem vai escolher quem vai apoiar."Ou um ou outro, ou nenhum, embora eu não goste de nenhum. Porque um ou outro? Antes havia esquerda e direita. Então a gente sabia que estava com a esquerda. Mas hoje são tão iguais a propostas. Nem Lula é de esquerda, nem Alckmin é de direita. Eu acho que a gente vai poder optar por qualquer um dos dois", argumentou.MinistériosO pedetista adiantou que se eleito pensa em cortar 10 ministérios e criar um. Ele não quis, no entanto, afirmar com quais ministérios pretende acabar. "Por exemplo: a gente precisa negociar antes de fazer, juntar ministérios que cuidam de minorias em um só ministério que cuida do povo brasileiro", afirmou.Cristovam avisou, porém, que vai fechar o ministério da Integração Nacional. "Tem muitos ministérios para cuidar das mulheres, dos negros. Por que não juntar um único sobre direito do povo brasileiro?", questionou. "O que o País não agüenta mais é o tamanho do estado improdutivo", afirmou.PrivatizaçõesCristovam Buarque disse que o seu partido não pretende rever as privatizações, caso seja eleito. "Não se trata de rever as privatizações. A intenção é daqui para a frente diminuir, porque não está havendo necessidade. O que foi feito foi feito", afirmou.O candidato afirmou que o PDT está se adaptando às mudanças. "Hoje nós somos totalmente favoráveis ao PPP (Parcerias Público Privadas). Até porque não deveria deixar de ser. Eu como governador do Distrito Federal fui um dos primeiros a fazer diversas parcerias público-privadas".VizinhançaO candidato disse que não apóia uma eventual intervenção do Brasil na Bolívia. "O que eu defendo é que a gente já devia há um ano, quando começou a falar em Evo Morales, com seu discurso, ter ido buscar gás na Rússia, na Argélia, no Espírito Santo. Na hora em que tiver disponibilidade de gás, a Bolívia vem atrás da gente, é uma questão de mercado. Ele (Evo) foi eleito democraticamente, tem direito de cometer seus erros. Acho que está cometendo um erro gravíssimo ao fazer isso com a Petrobrás. Se indispõe com o Brasil, se indispõe com o mundo inteiro. A Bolívia precisa mais do Brasil para vender o gás do que a gente dela para comprar gás", calculou.Com relação ao elogio que fez à Venezuela, que tem um programa de governo por 30 anos, Buarque disse que uma das tragédias no Brasil é pensar só de quatro em quatro anos. "Eu elogiei o fato de que a Venezuela, com o Chávez (Hugo Chávez) ter um programa de 30 anos. Mas eu não quero para aqui o que o Chávez faz. Salvo na erradicação do analfabetismo", disse.

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