Cristovam diz que seu projeto é para crianças

O candidato do PDT à presidência da República, Cristovam Buarque, atribuiu seus baixos índices nas pesquisas de preferências eleitorais ao fato de estar apresentando uma proposta para os brasileiros que não irão às urnas no dia 1º de outubro. "Meu projeto é para quem não vota", disse, ao visitar o Brique da Redenção, uma feira de artesanato e antigüidades que reúne milhares de pessoas aos domingos, em Porto Alegre. "Eu só estou lá embaixo (nas pesquisas) porque criança não vota", ressaltou. "Se votassem eu garanto que estaria lá na frente". Durante a caminhada, acompanhado de cerca de 150 militantes do PDT, Cristovam parou diversas vezes para afagar crianças. Ele repetiu que seu projeto está centrado na educação de toda uma geração como passo indispensável para o País dar o salto de qualidade que precisa, tanto no campo social como no econômico. "Proponho mais do que as obrigações presentes de um presidente, como cuidar da saúde, moradia, segurança e moeda; proponho cuidar também do futuro, da construção de um Brasil novo". O candidato também voltou a se comprometer com a responsabilidade fiscal. "Sempre que o Brasil tentou baixar preços, câmbio e juros por decreto não se deu bem", recordou. "Eu também quero baixar os juros, mas isso só é possível de uma maneira, equilibrando as contas públicas". Para dispor dos R$ 7 bilhões por ano que seus projetos educacionais exigem, Cristovam diz que pode recorrer a diversas fontes, como o orçamento, o lucro das estatais, o corte de algumas renúncias fiscais e até uma contribuição de 10% do Congresso, que recebe cerca de R$ 5 bilhões por ano. "Dependerá da maioria que eu conseguir formar". Por enquanto, Cristovam admite que está enfrentando a dificuldade de levantar fundos para a campanha. Os militantes que o acompanharam não carregavam nenhuma bandeira ou cartaz com seu nome ou sua foto, limitando-se a gritar palavras de ordem como "Brasil, urgente, Cristovam presidente". O candidato reconheceu que falta dinheiro para confeccionar peças publicitárias, mas disse esperar que os doadores entendam seu projeto e passem a fazer contribuições. Como diz que faz campanha para apresentar uma proposta, Cristovam garante que nada o levará a mudar de rumo. "Minha mensagem não vai se adaptar ao que o publicitário, o marqueteiro ou as pesquisas de opinião dizem", reiterou. "Eu tenho uma causa", proclama. "E quero ganhar sem mudar a causa". Em sua caminhada, Cristovam esteve acompanhado de alguns candidatos do PDT à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Ao contrário de domingo passado, quando a candidata à presidência pelo PSOL, Heloísa Helena, encontrou a maioria dos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul no brique, desta vez os concorrentes estaduais estavam colhendo votos no interior. Depois do Brique da Redenção, Cristovam tentou seguir no contato direto com eleitores em outro ponto de encontro da cidade, a Usina do Gasômetro e avenida Beira-Rio, fechada para pedestres aos domingos. Seguido por pouco mais de uma dezena de militantes, o candidato chegou ao centro cultural às 13 horas, mas encontrou o local vazio, tanto pelo horário como pelo clima cinzento e inadequado aos passeios pela margem do Guaíba. O grupo trocou a campanha pelo almoço num restaurante próximo. Às 15 horas Cristovam viajou para Brasília.

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