Cristovam diz que vitória de Lula é praticamente certa

O candidato do PDT à Presidência da República, Cristovam Buarque disse nesta sexta-feira que considera a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticamente como certa. No entanto, na avaliação do candidato, Lula terá minoria no Congresso e estará cansado num segundo mandato, sem propostas e alternativas. Considerou que Lula se omite de muitas coisas e se distancia do próprio partido.Questionado se estaria desanimado com a campanha eleitoral, Cristovam disse que sua causa vai além de 1.º de outubro. "Alguma coisa da minha caminhada, se eu não for eleito, vai ficar. Nem que as pessoas lembrem que teve um obsessivo pela educação, que tinha uma proposta e sabia o que fazer", disse.Cristovam afimou que teme que o próximo Congresso seja pior do que o atual. "Não sei se será pior ou melhor, mas se for pior, o Brasil estará se desfazendo", disse, durante sabatina a que está sendo submetido nesta manhã no Grupo Estado. "Se o Congresso não for capaz de enfrentar este momento, teremos um futuro absolutamente incerto. Eu não sei o que vai ser do Brasil.""Lula já saiu da legenda"O senador Cristovam Buarque disse que deixou o PT porque o partido se acomodou, em grande parte, pelo "vício de ser governo" e diante da corrupção de alguns membros. Segundo ele, que foi militante histórico da sigla até o ano passado e ministro da Educação do governo atual, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é candidato à reeleição, já tomou o mesmo caminho de distanciamento."O PT é um partido acomodado e lá não tem lugar para mim. Se acomodou diante da corrupção de alguns deles (membros do partido). O PT se acomodou diante da realidade", destacou Cristovam Buarque. "O Lula já saiu, ele já não é do PT. Aliás, ele vai gostar disso porque isso, talvez, dê mais voto para ele, tanto que ele não está botando nem estrela e nem cor", afirmou, numa referência ao fato de a propaganda eleitoral gratuita em TV do adversário petista ter praticamente retirado as referências da sigla, como a estrela e a cor vermelha, dos primeiros programas exibidos nesta semana.Segundo o candidato do PDT, há possibilidade, inclusive, de, futuramente, o PT não ter o mesmo papel que exerce atualmente no governo Lula e que o presidente diga que publicamente que não pertence mais à legenda. "Acho que, nos próximos meses, um ano ou dois, o Lula vai se distanciar tanto que o PT vai deixar de estar lá dentro (do governo). E aí é que virá o grande momento: o PT vai aceitar isso e continuar acomodado, sem estar no governo", destacou.Quanto ao eleitorado, ele destacou que a população não vota atualmente por partido, mas sim no candidato e que isso trará conseqüências ao Congresso. "Os que votam no Lula, vão continuar votando e os que não votam, continuarão não votando", opinou. "O Lula não vai pagar o ônus de ser do PT atual. E o PT vai pagar sozinho. Aí, o PT vai ter poucos parlamentares e o Lula vai ter que cair nos braços dos outros partidos, necessariamente, virando um presidente que não é do PT. Porque ao redor dele o poder não será do PT, será do PMDB, provavelmente", explicou.Heloísa Helena X LulaUm eventual segundo turno entre o presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) e a senadora Heloísa Helena (PSOL) geraria uma grande "complicação", segundo avaliação do senador Cristovam Buarque, candidato à presidência pelo PDT. Segundo o senador, tal disputa levaria políticos de esquerda a apoiar a senadora e ela teria de "afinar mais o programa de governo". O risco, segundo ele é de se criar instabilidade e inflação.Baixar juros no primeiro dia, uma das propostas já explicitadas por Heloísa Helena, é uma dessas incógnitas, segundo o senador. "Ou não vai fazer (a redução), ou faz e não sabemos o que acontecerá", disse, durante sabatina no Grupo Estado.Sobre uma disputa entre Lula e o tucano Geraldo Alckmin, Cristovam disse ter dificuldades de encontrar diferenças entre os dois. "As propostas são tão parecidas", afirmou.Cristovam comentou sobre a dificuldade de avançar nas intenções de voto. "É difícil viabilizar (a candidatura). Estou sendo subversivo", disse. Ele listou três coisas que não pretende fazer na campanha: perder o humor, o eixo e a linha da barriga. "Se você se submeter às pesquisas, perde o eixo e aí perde o humor", afirmou. A "linha da barriga" foi uma referência às tentações gastronômicas da campanha. "Crime hediondo"O candidato defendeu que o roubo de dinheiro público seja definido como crime hediondo. Cristovam destacou a importância de a palavra corrupção ser trocada pela palavra ladroagem.O candidato colocou o fim da reeleição, a transparência total e o voto aberto como principais pontos da Reforma Política e da luta contra a corrupção. Sobre como pretendia governar apenas com o PDT, tendo em vista que o partido não tem alianças, Cristovam afirmou que seu primeiro ato no governo seria "convocar as lideranças e dizer: eu fui eleito com tantos milhões de votos para fazer isso. Vamos fazer juntos".

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