Cristovam: PT é hoje um partido sem bandeira

O candidato à Presidência da República pelo PDT, Cristovam Buarque, afirmou neste domingo, no Recife, que o PT "é hoje um partido sem bandeira" que deixou de ser referência de esquerda. "O PT ficava sempre do lado dos trabalhadores, mas não tinha proposta para as massas excluídas", afirmou. "Agora não tem proposta para as massas - a não ser assistencialismo - e nem para os trabalhadores", avaliou, ao prever que o PDT poderá se tornar "a" referência de esquerda caso haja votação expressiva de alguns parlamentares pedetistas nestas eleições. "Nós, do PDT, temos um discurso claro e uma bandeira (da revolução pela educação) formulada durante a campanha".Para ele, um programa de esquerda será caracterizado pelo partido que seja ponte entre as classes médias e trabalhadoras do setor moderno e as massas excluídas."Em 2007 vai ocorrer uma reaglutinação das forças políticas no Congresso", analisou. "O PT perdeu o vigor transformador que caracteriza um partido progressista, de esquerda; o PSDB começou de esquerda, mas não é mais; o PSOL, PPS e PC do B chegarão sem discurso ou sem bandeira ou sem legenda (devido à cláusula de barreira)". Ele destacou que em sua campanha pela reeleição, Lula diz que vai fazer mais do que Alckmin (candidato tucano a presidente). "Quem diz que vai fazer mais não tem bandeira própria", criticou, ao complementar que o PT ainda poderá a vir a ser de esquerda.Numa avaliação de sua visita a Pernambuco, iniciada na manhã de sábado, o senador se disse "frustrado" diante do pouco apoio do PDT pernambucano - com exceção da participação do deputado estadual José Queiroz e do presidente do diretório municipal e membro da executiva nacional do partido, Alberto Salazar. O PPS, coligado com o PSDB, o prestigiou mais que o seu partido. E, embora seja do PDT o candidato a vice-governador na chapa do candidato ao governo pernambucano Eduardo Campos (PSB), os socialistas não vinculam Cristovam à sua campanha, embora nas andanças do pedetista, fossem distribuídos adesivos de Eduardo.A receptividade popular por onde andou no fim de semana serviu de estímulo à manutenção da sua pregação. Foram muitos, também, os encontros com pessoas que fizeram parte da sua infância e juventude no Recife, onde nasceu. No Córrego do Joaquim, bairro de Nova Descoberta, na zona norte, ele reencontrou Rita Epifânia de Santana, que faz 70 anos em setembro e trabalhou na sua casa ajudando a cuidar dos filhos pequenos de dona Bibi (mãe do senador, já falecida). Então com 12 anos, Rita deu o banho e arrumou Cristovam, que tinha sete anos, para fazer a Primeira Comunhão. Ao gravar para a equipe do programa eleitoral diante da casa onde morou, na Rua 12 de Outubro, bairro dos Aflitos - hoje uma clínica de fisioterapia - encontrou amigos de infância da vizinhança que o levaram para um churrasco na casa do pai de um deles, que ainda mora no mesmo local. Ali, voltou a subir numa mangueira que costumava escalar quando criança. Brincou, comparando sua situação nas pesquisas de opinião, que lhe dão 1% na preferência do eleitorado. "É mais fácil subir nas mangueiras que nas pesquisas. Emocionado, chorou quando os amigos e ex-vizinhos cantaram duas músicas ligadas à sua juventude:Disparada e Para não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré.No final da tarde, Cristovam tomou um café no maior shopping center da cidade e à noite teria uma reunião reservada com integrantes do PDT. Na segunda-feira, ele dará entrevista a emissoras de rádio locais e embarcará para Brasília às 13 horas.

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