Cristovam reforça temor de "tentação autoritária" de Lula após dossiê

O caso do dossiê levou o presidenciável do PDT, Cristovam Buarque, a reforçar nesta terça-feira sua tese sobre o perigo de, num eventual segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ceder a uma "tentação autoritária". "Essa minha posição já tem alguns meses e, sem dúvida alguma, o que aconteceu corrobora", disse Cristovam, durante campanha na cidade de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro."Meu temor, que muitos acharam que era um exagero de campanha, eu temo que ele possa se verificar se o presidente Lula for reeleito, especialmente no primeiro turno", completou o pedetista.Cristovam, comentando ainda sobre o seu "temor", citou também uma suposta declaração de Lula durante jantar com um grupo de 35 grandes empresários, na última quinta-feira, em Brasília."Na semana passada, o presidente da República chegou a dizer que tinha vontade de fechar o Congresso de vez em quando. Ou seja, o presidente diz que tem vontade de fechar o Congresso, que não consegue governar com o Congresso aberto. Na véspera da eleição, gente de dentro do Palácio faz o que foi feito nos últimos dias...", observou Cristovam, cujo receio é que Lula vença a eleição no primeiro turno e, com um partido enfraquecido, acabe virando um líder autoritário.Ele, porém, foi cauteloso ao avaliar se o presidente participou ou tinha conhecimento da negociação do dossiê contra os tucanos. "Pode (haver conhecimento). Eu não vou garantir que sim porque eu não tenho prova".Ex-ministro da Educação de Lula, o candidato do PDT, disse que o episódio o deixou, como brasileiro, "preocupado com a própria instituição democrática". E como político, constrangido. "Que papel a classe política está fazendo". Observou.MilitânciaCristovam exaltou sua atual legenda - segundo ele, "o único partido que está passando por essa lama toda com as mãos limpas é o PDT" - e criticou o comportamento da militância petista. "O que mais me surpreende é o acomodamento dos militantes do PT diante de todo esse escândalo. Isso é que me surpreende. O fato de haver fatos como esses, eu não culpo o PT, eu culpo pessoas do PT. Agora o acomodamento, a aceitação..."Segundo ele, a outrora ferrenha militância petista se acomodou diante da corrupção e do fato de o governo não fazer a "transformação social" que prometeu. "Não ouço um militante do PT fazer crítica. Eu não vejo um pedir para sair desse partido que está nessa situação. Esse acomodamento é que dá muita tristeza", afirmou, para concluir que o PT "perdeu o vigor transformador".BandeiraAo chegar a Ipatinga, Cristovam visitou o Sindicato dos Metalúrgicos e agradeceu a recepção entusiasmada dos populares e sindicalistas. Ao lado do candidato a senador, Omar Peres (PDT), ele voltou a defender a educação como uma prioridade e se comprometeu, caso eleito, com a instalação de uma universidade federal na região - que já ganhou até um nome de batismo: Universidade do Aço de Ipatinga (UAI).O pedetista também reafirmou sua proposta de federalização da educação básica. E disse que somente com investimentos maciços no setor o País poderá derrubar os "muros" da desigualdade social e do atraso.Admitindo implicitamente que não tem chances nas urnas, comemorou o fato de os adversários terem adotado sua defesa por uma "revolução"educacional. "Chegar lá não significa necessariamente ganhar, mas obrigar os outros a adotarem a nossa bandeira", discursou.Questionado, Cristovam preferiu não antecipar sua posição na eventual ocorrência de um segundo turno entre Lula e Alckmin. "Eu acho cedo para ter essa posição e não será minha sozinha. Será do PDT".Ele participou ainda de uma caminhada em Ipatinga e seguiria para atividades de campanha também na cidade vizinha de Coronel Fabriciano e em Belo Horizonte.

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