Críticas ao governo marcam ato em memória de jornalista

No ato ecumênico em memória da morte do jornalista Tim Lopes, realizado hoje na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, o tom foi de crítica ao governo, que até agora não fez a prometida ocupação social no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade. Lá, há um ano, Tim Lopes foi seqüestrado, torturado, julgado e executado por traficantes da quadrilha de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, quando fazia uma reportagem sobre o tráfico nos bailes funk da Vila Cruzeiro. Segundo Miro Lopes, um dos cinco irmãos de Tim presentes ao ato, "muito pouco foi feito" desde 2 de junho do ano passado. Ele cobrou a criação de programas sociais em comunidades de baixa renda e uma política de segurança eficaz para combater a criminalidade. "Não adianta culpar os governos anteriores. Isso explica, mas não justifica".O advogado André Martins, que representa a viúva de Tim Lopes, Alessandra Wagner, acusou a TV Globo de estar adotando uma postura similar à da universidade Estácio de Sá, suspeita de estar envolvida na adulteração de fitas do circuito interno de TV para acobertar o responsável pelo tiro que atingiu uma estudante dentro do pátio, em 5 de maio. A emissora não divulgou o nome da pessoa que ligou para Tim Lopes e solicitou que ele fosse até Vila Cruzeiro checar a denúncia dos bailes funk."A atitude da Globo é a mesma de quem apagou a fita na Estácio. Não sabemos ainda quem fez o Tim ir à favela. A emissora diz que é uma pessoa decente, mas não cabe a ela auferir a honestidade de ninguém. Só vamos dar o caso por encerrado quando essa testemunha aparecer", disse o advogado. A TV Globo não se pronunciou.Durante o ato na ABI, foi lançado um carimbo oficial dos Correios em homenagem ao jornalista que será usado na correspondência emitida pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.A polícia desistiu hoje de implodir o "microondas", gruta onde traficantes queimam suas vítimas, no alto da favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão. A decisão foi tomada depois que o Esquadrão Anti-Bombas esteve pela manhã no local e concluiu que seria arriscado implodir as pedras porque elas poderiam rolar e atingir as casas que ficam na parte de baixo."Universalmente, o risco para se trabalhar com explosivos, ou seja, a margem de erro, é de 5%. Lá na gruta, o risco sobe para 50% ou 60%. Se dinamitarmos o local, a pedra principal (com aproximadamente 10 toneladas) pode rolar e causar um problema maior", disse Rodrigo de Oliveira, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), responsável pela operação no morro.O secretário de Segurança Pública Anthony Garotinho, disse que vai pedir à Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) para fechar a gruta com concreto.

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