Críticas ficam mais objetivas e atingem também o governo

O candidato José Serra explora aquilo que lhe parece o flanco mais sensível do PT e de sua candidata - pelo menos aos olhos de um eleitorado ainda indeciso e avaliado como majoritariamente conservador, caça da vez no cenário polarizado da presente eleição. É uma parcela decisiva de eleitores que as campanhas não conseguiram empolgar e que esticará ao máximo o processo de reflexão antes de decidir o voto.

Análise: João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Ao dar visibilidade ao modo petista de viver perigosamente, flertando com movimentos como as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), ou tolerando os excessos dos sem-terra, o candidato do PSDB tenta exibir a face imatura de um partido que insiste em plantar a desconfiança em desfavor do próprio governo a que dá sustentação política.

Serra se valeu de declaração de João Stédile, arauto espontâneo do aviso de aumento de invasões de terra num eventual governo do PT, para registrar novo ataque de campanha. Sabe-se que a própria candidata Dilma Rousseff ficou incomodada com a declaração de Stédile, ontem reproduzida pelo adversário.

O rompimento entre Venezuela e Colômbia, tendo como pivô as Farc, é mais um fator de pressão sobre o governo Lula - e o PT - pelo reconhecimento da natureza criminosa do movimento, que ainda classifica de "insurgente", quando União Europeia e Estados Unidos, entre outros, o consideram terrorista.

Os acontecimentos recentes nesse contexto tornam insuficientes as reações do PT - até aqui de desqualificar o denunciante -, para impor a necessidade de respostas objetivas. Serra descola-se rapidamente do figurino ameno de candidato pós-Lula e passa ao ataque com temas que dizem respeito tanto à candidata, Dilma, quanto ao governo Lula.

É DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

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