Críticos da terceirização veem prejuízo nutricional

A terceirização da merenda escolar, iniciada gradativamente a partir do início desta década na rede municipal de São Paulo, ainda divide opiniões. Embora ninguém defenda com veemência a retomada do sistema direto, o atual modelo privado de administração e preparação das refeições é alvo de críticas - desde o aspecto financeiro até a qualidade da alimentação. O único estudo disponível sobre o tema foi produzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido da Secretaria de Gestão. O relatório, apresentado em maio de 2007 e rejeitado pela Prefeitura, aponta um custo 3,6 vezes maior com a terceirização, além de falta de variedade de alimentos e número insuficiente de funcionários, entre outros. A Subcomissão da Merenda e a CPI dos Direitos da Câmara também fez, no ano passado, críticas e recomendações ao modelo vigente. DIVERGÊNCIAS Na opinião do diretor superintendente da Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas, Antonio Guimarães, a terceirização representa a profissionalização do serviço. "As merendeiras não têm visão nutricional, sem contar que compram em pequenas quantidades, o que eleva o preço final para o município." Já para a coordenadora do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) do Ministério da Educação, Albaneide Peixinho, a terceirização pode gerar prejuízo aos cofres públicos e perdas nutricionais para os alunos. "A fiscalização precisa ser até mais cuidadosa para saber a qualidade da comida." Em audiência na Câmara dos Deputados, Albaneide afirmou que a alimentação escolar deveria ter caráter pedagógico - por isso, disse ela, a merenda não deveria ser terceirizada como nas indústrias. "Há denúncias (de não execução de contrato) em várias outras cidades que terceirizaram a merenda", diz.

BRUNO TAVARES e RODRIGO BRANCATELLI, O Estadao de S.Paulo

07 Fevereiro 2009 | 00h00

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