Crivela lamenta 'contaminação política' de obras na Providência

Senador que criou o Cimento Social negou conotação eleitoreira ao projeto e disse respeitar decisão do TRE

Cida Fontes, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 18h44

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), pré-candidato à prefeitura do Rio e autor do projeto Cimento Social, que estava em execução no Morro da Providência, divulgou nota nesta terça-feira, 24, dizendo que respeita a decisão da Justiça Eleitoral de suspender as obras e lamentando que tenham sido "contaminadas pela proximidade da disputa eleitoral". Foi nesse morro que militares do Exército que garantiam a realização das obras detiveram três jovens e os entregaram a traficantes do Morro da Mineira, onde foram assassinados.   Veja também: Com obras embargadas, Exército deixa Morro da Providência Justiça Eleitoral embarga obras no Morro da Providência Assassinos de jovens podem ter deixado morro Em carta, militares culpam tenente por crime Exército em obra no morro é 'injustificável', diz Lula Opine: o Exército pode cuidar da segurança pública?     As obras - de recuperação de estruturas e fachadas de moradias - foram suspensas pelo juiz Fábio Uchôa, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que viu nelas propaganda eleitoral a favor de Crivela. O caráter eleitoreiro do projeto, segundo Uchôa, está no fato de que panfletos com fotos do senador sobrepostas às obras eram distribuídos no morro.   Na nota distribuída há pouco, Crivella nega conotação eleitoreira ao projeto, diz que quer vê-lo transformado em lei e que já apresentou ao Senado proposta nesse sentido, no ano passado. O projeto, segundo ele, estende os benefícios do Cimento Social a moradores de todas as áreas de risco de todas as cidades brasileiras.   O senador diz que respeita e acata a decisão da Justiça Eleitoral, mas lamenta "que obra tão importante para a melhoria das condições de vida de 782 famílias tenha sido paralisada por causa da contaminação do debate político provocada pela proximidade da disputa eleitoral." As obras foram propostas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2007, mais de um ano atrás, e iniciadas em dezembro de 2007.   Na nota, Crivela lamenta a suspensão da reforma das casas, "o que pode deixar sem emprego cerca de 150 trabalhadores contratados para trabalhar na recuperação da estrutura e da fachada das casas, inclusive moradores do próprio Morro da Providência."

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