CRM abre sindicância sobre erro do hospital São Luiz

O Conselho Regional de Medicina (CRM), com base em matérias publicadas no Estado, instaurou sindicância para apurar responsabilidades da equipe médica do Hospital São Luiz que, em novembro de 1996, " esqueceu" um fio guia de catéter metálico, de mais de um metro de comprimento, no sistema cardiovascular do instrutor de Kung Fu, André Mamatov Liposski, de 24 anos. O erro médico, ocorrido quando o rapaz recebia socorros de emergência, após um desastre automobilístico, foi considerado " irreversível" por uma junta de sete especialistas do Hospital do Coração. Após cinco anos, a peça aderiu ao organismo do paciente e não pôde ser removida nem por cirurgia. Assim, André terá de conviver com o problema, até o fim de seus dias, com risco permanente de morte, devendo receber tratamento especializado.André entrou hoje na 4ª Vara Cível da Capital, onde já tramita ação de indenização contra o São Luiz, com uma segunda ação de natureza cautelar contra o hospital. Baseado no laudo médico dos especialistas, o advogado Paulo Esteves pede a concessão de liminar para que o São Luiz seja obrigado a depositar em juízo o valor de todos os honorários e despesas médicas, hospitalares, medicamentos e custos de atendimento psiquiátrico. Essas medidas são consideradas no laudo médico, indispensáveis para " garantir a sobrevida e controlar o efeito letal causado pelo corpo estranho" no organismo do paciente.Os sete especialistas do Hospital do Coração, em dezembro do ano passado, após duas tentativas para retirar o fio metálico, suspenderam o procedimento cirúrgico, pois a seqüência ocasionaria a morte do paciente. Parte do fio está aderido a veia cava superior e inferior e parte está incrustada dentro do coração do paciente.O relatório médico assinala que as condições clínicas e psicológicas do paciente "se agravaram após a tentativa frustradas de salvar sua vida". Recomendam, tratamento psicológico imediato", além de acompanhamento clínico e laboratorial permanentes, ao longo de sua vida, com exames e medicamentos para retardar o efeito letal" do corpo estranho alojado no sistema cardiovascular de André.

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