Cumbica é campeão de choques com urubus

O Brasil nunca registrou acidentes aéreos ocasionados por colisões com aves na aviação civil, mas os números sobre esse tipo de incidente começam a preocupar o Comando da Aeronáutica. Só este ano já foram registradas 111 do tipo em todo o País. A média de colisões na década de 90 era de 150 por ano e desde 2000 ultrapassou a casa das 300 por ano. A pesquisa revela ainda que o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, é o campeão de registros: 124 colisões desde janeiro de 2000. Os aeroportos Tom Jobim, (Rio de Janeiro), Afonso Pena (Porto Alegre) e Presidente Juscelino Kubitschek (Brasília) ficam logo atrás. O choque com uma ave sempre causa danos materiais no avião. "Dependendo do local da colisão os controles podem travar e há o risco de queda", alerta o capitão-aviador Flávio Antônio Coimbra Mendonça, coordenador da Comissão de Controle do Perigo Viário. A maioria das batidas ocorre durante as manobras de pouso e decolagem. Nesses momentos os aviões estão na mesma altitude das aves - cerca de 5 quilômetros do chão - e a mais de 300 quilômetros por hora. O choque com uma ave de 1,5 quilo, por exemplo, pode provocar um impacto que varia de 6 a 8 toneladas. "Nessa velocidade, quando o piloto pensa em desviar é tarde demais", explica Coimbra. Motores são mais atingidosDe acordo com a estatística do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os motores são as partes mais atingidas - 24% das ocorrências. As asas e o pára-brisa vêm em seguida, com 12% e 7%. "As conseqüências de uma colisão no pára-brisa também são sérias, já que o estilhaço do vidro pode machucar o piloto", diz o capitão Coimbra. Entre tipos de aves que mais se chocam com os aviões estão o urubu, quero-quero e as corujas. Em 8% dos casos o piloto foi obrigado a pousar, sempre por precaução. Para as companhias aéreas, porém, os danos são grandes. A troca de uma peça da turbina chega a custar até US$ 40 mil, além dos prejuízos indiretos com atrasos e possíveis indenizações. Lixões clandestinos atraem os urubus Para tentar diminuir o número de incidentes e evitar uma tragédia, o Cenipa tem travado uma batalha contra os lixões clandestinos. São eles que atraem as aves. "Queremos retirar os pássaros de forma que isso não afete o meio ambiente", diz o capitão. Em Cumbica, uma bióloga trabalha junto com o Ibama na remoção das aves. No Rio também há uma parceria com universidades para encontrar soluções. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente considera área de segurança os locais que estão num raio de 20 quilômetros para aeroportos que operam por instrumentos e 13 quilômetros para os demais. A população também pode ajudar, não jogando lixo em locais proibidos e denunciando lixões e matadouros clandestinos. Os balões também representam um perigo para a aviação. O Cenipa tem dados de alguns deles que chegam a ter até 40 metros de altura. Como muitos utilizam botijões de gás, numa colisão com um avião pode haver explosão.

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