Cumbica fez vizinhança adensar

Entre 1980 e 2000, região próxima do aeroporto aumentou 156%

Bruno Paes manso, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2030 | 00h00

Localizado no meio da cidade de Guarulhos, o Aeroporto Internacional de Cumbica ocupa uma área de 14,5 quilômetros quadrados, tamanho pouco menor que o da cidade de São Caetano do Sul, com 15 quilômetros quadrados. Construído em 1985, produziu dois fenômenos na cidade de Guarulhos, que serviram para adensar a população no entorno do aeroporto. Cumbica, por um lado, oferece cerca de 20 mil empregos diretos e 60 mil indiretos - a maioria de postos de serviços com salários relativamente baixos, o que torna os bairros no entorno uma excelente opção de moradia para os trabalhadores locais. Por outro lado, casas e terrenos que ficam no cone de ruído do aeroporto - lugares mais afetados pelo barulho ensurdecedor das operações diárias - tiveram os preços desvalorizados em até 30%, o que estimulou ainda mais o adensamento dos bairros mais pobres. Entre 1980 e 2000, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os nove bairros das zonas norte e leste de Guarulhos, vizinhos do aeroporto, tiveram um crescimento de 156%, passando de 127 mil habitantes para 325 mil. A população de Guarulhos permaneceu crescendo em ritmo acima de 2%, o que indica uma população ainda mais densa. Os bairros São João e Taboão, por exemplo, que em 1980 tinham 43 mil habitantes, em 2000 já haviam passado para 131 mil habitantes. São pequenas casas em ruas precariamente urbanizadas, localizadas nas proximidades do Jardim Ipanema, lugar onde, em 1989, um Boeing 707 da Transbrasil caiu, matando 22 moradores de uma favela e outros três tripulantes - e deixando mais de cem pessoas feridas. "Quando caiu o avião da TAM, o medo voltou com toda a força", diz o aposentado José Zito, de 57 anos, morador do Jardim Ipanema, que fica a cerca de 2 quilômetros das pistas de Cumbica. Acostumado com o vai-e-vem dos aviões, Zito já aprendeu a lidar com a barulheira dos vôos, que trafegam com ainda mais intensidade durante a madrugada. "É só não abrir os olhos que continuo dormindo." Para evitar os chuviscos na televisão provocados pelos aviões, instalou um equipamento a cabo. Morador do local há 25 anos, ele afirma que decidiu vender a casa depois do acidente em Congonhas. Só não vendeu ainda por um pequeno detalhe: ninguém quer comprar. 30% é a desvalorização que tiveram os imóveis localizados no cone de ruído do Aeroporto de Guarulhos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.