Cunhada de acusado do furto do BC é libertada

Depois de três dias, chegou ao fim o seqüestro da costureira Rejane do Nascimento, de 32 anos, cunhada de um dos acusados de integrar a quadrilha que furtou R$ 164,7 milhões do Banco Central (BC), na primeira semana de agosto do ano passado. Ela foi libertada na madrugada desta quinta-feira na CE-060, em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza. Rejane foi levada de dentro de casa, no Conjunto Marechal Rondon, no último domingo à noite. Machucada e em estado de choque, a costureira foi encaminhada para a emergência do hospital municipal Instituto Dr. José Frota, onde foi medicada e depois liberada.De acordo com familiares, os seqüestradores exigiram R$ 500 mil para libertar a refém. Ontem, ameaçaram a vítima com mutilações, caso não fosse paga a quantia pedida. A polícia se afastou do caso a pedido da família, que não confirmou se pagou ou não o valor do resgate.Segundo Rejane, os bandidos afirmaram serem policiais federais, embora não tenham mostrado nenhuma identificação. "Eles bateram na porta e disseram: É a federal. Eu respondi que iria ligar para o meu advogado e eles insistiram: é a federal", conta a costureira. Ainda segundo ela, o cativeiro era um lugar deserto. "Acho que era um sítio porque até cavalo tinha. Eles diziam que, se eu fugisse, iriam me pegar de cavalo", comenta.A costureira acredita ter sido confundida com a irmã, Rosângela, mulher de Antônio Edmar Bezerra, preso no dia 28 de setembro do ano passado em uma casa no Modumbim, periferia de Fortaleza, com outros quatro acusados: Flávio Augusto Mattioli, Marcos de França, Marcos Ribeiro Suppi e Davi Silvano da Silva. Na casa, a Polícia Federal (PF) conseguiu recuperar pouco mais de R$ 12 milhões furtados do BC.SeqüestrosO seqüestro de Rejane foi o quarto envolvendo pessoas ligadas a acusados de integrar a quadrilha que furtou o BC. Em outubro, Luiz Fernando Ribeiro, o "Fê", de 26 anos, foi seqüestrado em frente a uma boate em São Paulo. A família pagou R$ 2,1 milhões pelo resgate. Mesmo assim, ele foi morto. Marli, a mulher do ex- vigilante Deusimar Neves Queiroz, acusado de repassar informações sobre o interior do cofre do BC, também disse que foi seqüestrada, em Fortaleza, e forçada a mostrar onde estavam escondidos R$ 500 mil, em Irauçuba, no interior do Ceará. O outro caso envolveu o empresário Elizomarte Fernandes Vieira, um dos sócios da revenda onde a quadrilha comprou 11 carros após a invasão ao cofre do BC. Ele foi solto após a família pagar o resgate, cujo valor não foi revelado.Roubo milionárioO furto na caixa forte do BC de Fortaleza ocorreu em 6 de agosto do ano passado. Os ladrões invadiram um cofre por um túnel e levaram R$ 164,7 milhões. A ação é considerada a maior já realizada contra bancos no Brasil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.