Cupins afetam árvores do Parque do Ibirapuera

Preocupação maior é com segurança de usuários

Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2008 | 00h00

Parte das 15 mil árvores do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, está tomada por visitantes indesejáveis e perigosos: os cupins de hábitos subterrâneos. Um mapeamento científico está sendo realizado para saber quantas das árvores estão infestadas pelos insetos e oferecem riscos ao 1,1 milhão de visitantes mensais. Os pesquisadores não sabem a quantidade danificada, mas levantamento em um bolsão de tipuanas - próximo ao playground - indicou a infestação em 30% delas. "Ainda não podemos dizer que 30% é o porcentual de árvores infestadas que vamos encontrar em todo o parque. Só que também não posso dizer que não é", afirmou João Justi Júnior, pesquisador do Laboratório de Pragas Urbanas do Instituto Biológico, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, que realiza os testes no parque.Algumas árvores já pesquisadas estavam comprometidas em 70% a 80%. "A literatura científica aponta que se 2/3 do diâmetro estiver comprometido já se recomenda a retirada." Cada colônia de cupim nas árvores tem em média 1 milhão de insetos, que podem se instalar nos exemplares ao lado.A avaliação, que deverá estar pronta no segundo semestre, é uma parceria com a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Segundo Justi Júnior, para efeito de comparação, análise menos detalhada no Parque da Água Branca, na zona oeste, constatou que 22% das árvores estavam infestadas há 5 anos. "Como usamos outro tipo de metodologia, não dá para estender isso ao Ibirapuera." Caso a infestação chegue a 30% ou mais, Justi Júnior diz que há "risco potencial" para os usuários. "Levando em conta o número de pessoas que freqüentam o parque, existe o risco." Ele já indicou o corte de algumas árvores em situação crítica. Só que pesquisadores e direção do parque enfrentam a indignação dos usuários em relação à ações na árvores."É impressionante. Estamos fazendo furos nos troncos para checar a infestação e as pessoas param para tirar satisfação. Querem saber se vamos cortá-las. É preciso entender que, muitas vezes, uma árvore aparentemente sadia está comprometida", disse o estudioso, que analisará cerca de 2 mil árvores como tipuanas, alfeneiros, eucaliptos e jacarandás mimosos.O engenheiro agrônomo Heraldo Guiaro, da manutenção de áreas verdes do Parque do Ibirapuera, afirmou que o trabalho vai permitir conhecer a infestação e controlar a evolução das árvores para evitar quedas. "A segurança dos usuários é uma grande preocupação nossa."Paralelamente à análise visual e aos furos criteriosos nos troncos, os pesquisadores trabalham em laboratório. O objetivo é descobrir inseticidas eficazes. "Estamos avaliando qual produto que causa menor impacto teria mais eficiência e melhor custo-benefício", explicou Marcos Potenza, pesquisador do Instituto Biológico e responsável pelos testes. Ele acrescentou que uma das áreas que traz preocupação é o playground, sempre lotado. "Temos que encontrar um produto que seja menos tóxico, já que crianças e também idosos são mais suscetíveis."Para avaliar se as árvores estão com cupins, os pesquisadores fazem primeiro um teste visual, observando galhos quebrados, fissuras, marcas de terra e de fezes de cupins. Depois, com uma broca de 40 a 50 centímetros, fazem furos no tronco para ver se está oco e qual o nível de comprometimento.

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