Cupins corroem tesouro colonial em Itanhaém

Falta manutenção para matriz, convento e igreja tombados em 1958

Rejane Lima, ITANHAÉM, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2009 | 00h00

Três telas de Benedito Calixto, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição vinda de Portugal há mais de 400 anos, dois altares talhados em madeira do século 18 e outros verdadeiros tesouros da cultura colonial brasileira estão em meio a paredes repletas de umidade, goteiras, brocas e cupins na Igreja Matriz de Santana, em Itanhaém, na Baixada Santista. Datada de 1761, a matriz é um dos dois monumentos de Itanhaém, segunda cidade mais antiga do País, tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1958. Próximo dali, no alto de uma rampa que já foi uma escadaria com 83 largos degraus, ficam o Convento e Igreja Franciscanos de Nossa Senhora da Conceição, onde a situação também é crítica. Pagando-se R$ 1 é possível visitar o convento e parte das ruínas da antiga hospedagem dos franciscanos e também da ermida construída na época da fundação de Itanhaém, em 1533. A freira Maria de Lourdes da Silva, da irmandade Servas de Jesus Sacerdote, cuida sozinha do lugar. "Mas a prefeitura paga um guarda e uma funcionária para me ajudar", ressalta. A irmã mostra com dó a situação crítica do prédio. "Tem cupim e os bombeiros já me falaram que a fiação está ruim e a qualquer momento pode haver um incêndio." E foi justamente o fogo o causador da destruição da parte hoje em ruínas. Tentando se livrar dos morcegos, um frei acabou incendiando sua morada em 17 de maio de 1833. A partir daí, começou a deterioração do prédio que os franciscanos deixaram de ocupar definitivamente em 1844, por falta de recursos para a manutenção."Temos projeto para restauração e transformação em pousada histórica aprovado pelo Iphan desde 2006. Estamos trabalhando na captação de recursos", explica o arquiteto da diocese de Santos, Jaime Calixto.Ele diz que a Igreja aguarda a aprovação de um documento no Ministério da Cultura para captar recursos por meio da Lei Rouanet. "Mas com essas mudanças na lei não sabemos como isso vai ficar", afirma Calixto. Já para a Matriz de Santana não há projeto de restauração e a Mítria tem buscado apenas verbas para obras emergenciais por meio de emendas parlamentares. Há 13 anos na paróquia, o padre Albino Schwengber afirma que há alguns anos já vem alertando a diocese sobre os problemas de conservação. Voluntária na lojinha da igreja, Jorgina Vera Felix Pereira, de 56 anos, afirma que já cansou de ouvir reclamações de turistas e antigos moradores sobre o estado da matriz. "O cupim está tão forte no assoalho que se a pessoa vem de salto alto enrosca o pé." A prefeitura de Itanhaém lamenta a situação, mas afirma que pouco pode fazer. "Conseguimos uma emenda de R$ 150 mil há dois anos para restaurar parte do telhado do convento. A prefeitura fez o telhado e está sofrendo uma ação no Ministério Público por causa de uma reclamação que veio da Cúria Metropolitana", afirmou o vice-prefeito de Itanhaém, Ruy Santos (PSDB), completando que a prefeitura foi impossibilitada de utilizar no conserto da parte elétrica os R$ 30 mil que sobraram. "Não tivemos a anuência da Cúria e acabamos tendo de devolver a verba."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.