Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Cúpula do Congresso Nacional é invadida

Luzes do interior do prédio foram apagadas para dificultar a invasão; mais de 7 mil pessoas realizaram protestos em Brasília

RICARDO DELLA COLETTA, DAIENE CARDOSO, DÉBORA ALVARES E ERICH DECAT, BRASÍLIA

18 de junho de 2013 | 01h33

Mais de 7 mil pessoas realizaram um protesto na Esplanada dos Ministérios e no Congresso Nacional, que teve a cúpula invadida. Da marquise do Parlamento – as cúpulas côncava e convexa do Senado e da Câmara –, os manifestantes gritaram palavras de ordem e entoaram o Hino Nacional. A Polícia Militar do Distrito Federal entrou em confronto com o grupo, embora não tenha conseguido conter o avanço até as imediações do prédio do Poder Legislativo.

Assim como em outras capitais, a pauta da manifestação era ampla e difusa. Manifestantes dizem ser contrários à Proposta de Emenda à Constituição que retira poderes de investigação do Ministério Público (PEC 37), queixaram-se da corrupção e dos gastos públicos com os grandes eventos no País, como as Copas do Mundo e das Confederações. Também demonstraram ser solidários aos protestos que tomaram o País desde a semana passada contra o aumento da passagem do transporte público coletivo, principalmente em São Paulo e no Rio.

"Fora Renan" e "fora Feliciano" foram palavras de ordem ouvidas, em referência ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), e ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Tampouco faltaram gritos contra a presidente Dilma Rousseff e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

Duas pessoas foram presas quando chegaram a cerca de 50 metros da entrada do Congresso, atrás do espelho d’água que fica na parte final do amplo gramado. A maior parte dos policiais que fizeram a segurança estava sem identificação. Durante a confusão, um vidro da sala da vice-presidência da Câmara foi quebrado.

Três senadores – Eduardo Suplicy (PT-SP), Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim (PT-RS) – tentaram em vão conversar com supostos líderes do movimento para saber qual seria a pauta de reivindicação dos manifestantes. Eles, porém, foram vaiados pelo grupo.

"Não tem o que negociar. Não há pauta ligada ao Senado diretamente", disse o primeiro vice-presidente do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

O presidente interino do Congresso, deputado André Vargas (PT-PR), ligou para o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, para pedir reforço na segurança do prédio do Congresso. Mas, segundo o parlamentar, o governador lhe disse que era preciso monitorar os acontecimentos antes de tomar a decisão de aumentar o efetivo. Por recomendação da Polícia Legislativa, as luzes do interior do prédio foram apagadas para dificultar a invasão.

Redes sociais. O protesto surgiu nas redes sociais e foi programado para coincidir com os de outras cidades, como São Paulo e Rio. Eles partiram do Museu Nacional e seguiram de forma pacífica até o gramado na frente do Parlamento. Lá, a PM fez um cordão de isolamento.

No fim da tarde, um grupo tentou acessar a rampa principal do Congresso, mas foi repelido por policiais, que usaram spray de pimenta para dispersar a multidão. Uma jovem passou mal e foi carregada para dentro do prédio. Mais tarde houve confronto entre a Polícia Militar e os manifestantes no espelho d’água do Congresso e ocorreu a primeira prisão.

Um dos organizadores do evento, o estudante Wellington Fontenelle, chegou a dizer que não havia a intenção de invadir a Câmara e o Senado e as tentativas de entrar no prédio tinham sido promovidas por uma minoria que buscava o confronto. Mas a situação saiu de controle.

À noite, André Vargas disse que o uso da força por parte da PM para dispersar os manifestantes não terá apoio da Casa. Segundo ele, como não é possível identificar os organizadores dos manifestos, a tentativa de diálogo fica mais difícil.

Roberto Lenox, representante do Comitê Popular da Copa, afirmou que a proporção que o protesto tomou é uma resposta à atitude da polícia durante o ato na frente do Estádio Mané Garrincha, sábado. "Naquele dia, a PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar o grupo que protestava contra o uso de recursos públicos para as Copas das Confederações e do Mundo", afirmou.

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