Cúpula impõe Roseana ao PT do Maranhão

Apoiar filha de Sarney é exigência de Lula e Dilma; em março diretório maranhense aprovara endosso à candidatura de Flávio Dino, do PC do B

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Quatro dias depois de obrigar o PT de Minas a apoiar o PMDB na disputa ao Palácio da Liberdade, a cúpula petista deve avalizar hoje a candidatura de Roseana Sarney (PMDB) a um segundo mandato, anulando a decisão do Diretório Estadual do partido, que em março aprovou a aliança com o deputado Flávio Dino (PC do B-MA).

O apoio a Roseana é uma exigência da pré-candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, e do presidente Lula. Dilma comparecerá hoje cedo à reunião do Diretório Nacional do PT, que vai bater o martelo sobre o imbróglio no Maranhão e ratificar a parceria em Minas com o PMDB.

A tendência é o PT aderir à campanha de Roseana. Motivo: a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que tem a maioria do partido, fechou questão, ontem, pela aprovação da aliança com a filha do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

"Não se trata de intervenção porque o 4.º Congresso do PT, em fevereiro, deu ao Diretório Nacional atribuição para examinar em última instância as alianças nos Estados", afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Embora a corrente de Lula tenha posição unificada pelo aval a Roseana, a reunião de hoje promete polêmica. Na noite de ontem, o grupo Mensagem ao Partido ? do secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) ? ainda pregava, como alternativa menos traumática, a liberação do voto e neutralidade no Maranhão.

"O PT está se vendendo ao Sarney", protestou o deputado Domingos Dutra (PT-MA). "Nós não vamos aceitar essa palhaçada. Se fizemos um encontro estadual e aprovamos a aliança com Flávio Dino, como essa decisão não vale?"

Na noite de quarta-feira, Dilma, ministros e coordenadores de sua campanha reuniram-se em Brasília para discutir o formato da convenção do PT, no domingo. O caso mais dramático, agora, é mesmo o do Maranhão, já que há negociações em andamento no Paraná, Pará e Ceará. Por ordem do comando petista, o diretório mineiro obrigou, na segunda-feira, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel a desistir da disputa à sucessão do governador Antonio Anastasia (PSDB), afilhado do tucano Aécio Neves, para apoiar a candidatura do senador Hélio Costa (PMDB-MG). Pimentel havia vencido prévia contra o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT).

"Estamos fazendo tudo em nome do projeto nacional para o casamento com o PMDB", resumiu o deputado José Genoino (PT-SP). "Se a Roseana foi líder do governo Lula quando era senadora, como agora não serve para o PT apoiar?"

Convenção. O PMDB promove amanhã sua convenção nacional. É nesse encontro que vai decidir pelo apoio a Dilma e aprovar a candidatura do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), como vice da chapa. Os problemas nos palanques servem de munição para o grupo contrário a Dilma, embora essa ala não tenha força para inviabilizar o acordo com o PT.

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