Curitibanos vão às ruas e pedem fim das 'contas secretas' da Prefeitura

Grupo protesta contra corrupção política, a PEC 37, as tarifas do transporte público e a falta de transparência da URBS, autarquia que gerencia o transporte em Curitiba

Julio Cesar Lima,

20 Junho 2013 | 20h40

CURITIBA - A chuva que caiu durante toda a quinta-feira em Curitiba (PR) e o anúncio da redução em 15 centavos na tarifa de ônibus, feito pelo prefeito Gustavo Fruet (PDT), não evitaram que um grupo de aproximadamentre três mil manifestantes realizasse uma passeata pelas ruas centrais da cidade. Eles protestaram contra corrupção política, a PEC 37, as tarifas do transporte público, que passou de R$ 2,85 para R$ 2,70, e a falta de transparência da URBS, autarquia que gerencia o transporte em Curitiba. Os grupos caminharam em direção à Prefeitura. A tendência é de que o número de manifestantes, divulgado em balanço das 19h15, aumente ainda mais.

O grupo partiu da Boca Maldita, mas em seguida dividiu-se, pois uma ala portava bandeiras de partidos políticos e movimentos diversos. Para amanhã, 21, está prevista uma nova manifestação, às 18 horas, com saída da Praça Rui Barbosa, o maior terminal urbano da cidade. Sem um itinerário divulgado, os dois grupos seguiram em direção à Prefeitura. A PM e a Guarda Municipal não acompanharam os manifestos, mas mantinham agentes infiltrados, segundo o comando da corporação.

Entre os manifestantes o aposentado Jorge Silva, de 71 anos, vestia uma camisa da seleção brasileira com a inscrição "O Petróleo é Nosso" e criticava o preço abusivo dos combustíveis. "Nós temos o petróleo, ele é nosso, mas a Petrobras faz investimentos lá fora e aqui, onde poderia abrir mão de alguns tributos cobra caro de todos. Além disso, não é possível um empresário ter lucro de 25% a 30% cobrando esses preços nos ônibus", disse, referindo-se aos preços das passagens.

Para Rosiane Valença, o momento de protesto provoca emoção. "Mesmo com todo o frio (a temperatura estava em 12 graus) saí de casa para protestar, e não é somente contra a tarifa, mas sim contra toda a corrupção praticada por nossos políticos, a impunidade, essas coisas que estamos aguentando e a tarifa foi a gota d´ água", reclamou.

Durante a passeata vários cartazes faziam alusões à Copa do Mundo. Em um deles lia-se: "Queremos um Brasil com padrão Fifa". Durante a caminhada a presidente Dilma Rousseff também foi lembrada com músicas como "Dilma que papelão, Feliciano ainda está na comissão", além de outras canções dirigidas a políticos.

A redução do valor da passagem em Curitiba terá validade a partir do dia 1º de julho, mas no caso das tarifas dos coletivos que circulam aos domingos eles continuam com a tarifa de R$ 1,50, 50% mais cara que o R$ 1,00 cobrado até março.

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