Curto circuito pode ter causado incêndio em favela no Rio

Um curto circuito deve ter provocado o incêndio que destruiu cerca de 150 barracos na Favela Mandela de Pedra em Manguinhos, na zona norte do Rio, na noite de sábado. Essa é a conclusão do vice-presidente da Associação de Moradores, Edson Carlos Viegas. Apesar disso, moradores contaram que uma mulher, com ciúmes do marido, ateou fogo às roupas dele. As chamas atingiram o barraco de madeira do casal e se espalhou para as outras casas. Viegas negou a versão. "Havia um casal discutindo no momento em que o incêndio começou, mas acreditamos que o fogo foi provocado por curto circuito. A briga foi uma coincidência infeliz".Os moradores tentaram, neste domingo, recuperar alguns pertences e vizinhos reviraram os escombros em busca de pedaços de ferros retorcidos que pudessem ser vendidos. A prefeitura cadastrou as famílias desabrigadas e a Defesa Civil enviou 200 colchões para serem distribuídos entre as vítimas.O fogo começou por volta das 20h30 do sábado. O local do incêndio era um dos mais pobres da favela, com muitos barracos de madeira grudados uns aos outros. A auxiliar de enfermagem desempregada Maria de Lourdes Pereira, de 46 anos, estava em casa com os filhos Leonardo, de 10, e Jaqueline, de 8, quando o fogo começou. "Não consegui salvar nada. Perdi as poucas coisas de valor que tínhamos e também todas as fotos das crianças, as roupas".Ana Gilsa Vieira de Souza contou que saiu para comprar um filme fotográfico para registrar a comemoração pelos seus 24 anos. Meia hora depois, ao voltar, encontrou sua casa em chamas. "Moro aqui desde os meus 12 anos. Agora não sei como vai ser, para onde vamos".Paula Silva Araújo, de 29 anos, estava revoltada. "O fogo destruiu uma parte das minhas coisas. A outra foi roubada pelos vizinhos. Algumas pessoas aproveitaram o nosso desespero e disseram que iam ajudar a salvar o fogão, o botijão de gás. Mas depois sumiram com tudo", contou.Os bombeiros não demoraram a chegar, mas tiveram dificuldade para alcançar o local do incêndio. Também não havia água na favela e foi preciso romper uma adutora da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae). Moradores ajudaram com baldes d´água e mangueiras. Ambulâncias do Corpo de Bombeiros atenderam pessoas intoxicadas pela fumaça e com ferimentos leves.

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